25 de novembro de 2020

Como ou por que?

Na vida, em alguns momentos, uma pergunta persiste em nossa mente: como fazer determinada coisa? As ideias surgem, criamos e regamos os nossos desejos, construímos os projetos e nos entregamos ao "como" para buscar as realizações. 

A questão é que, diante das exigências do mundo atual de que precisamos antecipar os próximos passos - isso mudou nos últimos meses por conta do que vivemos no mundo - podemos nos colocar numa prática que pode perder o sentido. Nem todo mundo aceita essa "pressão" de realizações externas, mas ela existe em vários formatos. 

Há tanta informação, tanta sugestão no ar. Faça isso e seja aquilo. Invista naquilo e seja isso. Seja. Descubra como por aqui. Pelo caminho que podemos oferecer. Quem nunca viu algo assim que, por diversas vezes, toca naquele ponto lá no fundo que vai nos fazer pensar que seria o início de uma solução tão esperada? E, dependendo do nosso momento, nos jogamos mesmo.

Mas as perguntas primárias que seriam importantes antes de uma decisão de ação assim poderiam ser: por que e para que fazer a coisa determinada? Qual o motivo?  Qual a expectativa clara e real para isso? 

A urgência da vida nos faz, às vezes, agir sem saber porque exatamente estamos por aquele caminho. Quem indicou? Onde buscamos referências? Por que? Por que esse? Talvez seja bom pensar nesses detalhes, sem o automático da escolha. Para alguns, talvez seja uma boa escolha pensar assim. Talvez, para outros, não. E tudo bem. Mas pode ser que estejamos no "como fazer" para atender mais as expectativas externas do que os desejos legítimos. 

O bom é estar consciente no presente e entender o que quer e o que sente. E o porquê pode nos ajudar a seguir por um caminho que vai apresentar algo que nos transforme, mesmo que bem pouquinho, contribua para a vida, ajude com algum crescimento ou alguma reflexão. Se não for assim, não sei não. 



18 de novembro de 2020

O outro

Nessa retomada aqui, quero escrever um dia por semana, pelo menos. Talvez dois. Numa semana de muita inspiração, pode ser até três. É o espaço onde posso me expressar e também receber o olhar, a vivência e a opinião do outro - no caso, de quem vem aqui. 

A vida, na verdade, é assim: eu e o outro. Um inserido no outro. Um como parte do momento do outro. Seja lá quem ele for. Cada qual dentro da especificidade em que eu determinei para ele na minha vida ou na qual ele se faz presente. Os outros, na verdade. A cada passo, um outro pode surgir. A cada dia, um outro pode se apresentar. E outro, e outro, e outro.

O outro dentro. O outro fora. Num movimento interno e externo que, muitas vezes, nos confunde. E nos confunde porque, algumas vezes, damos ao outro a importância de conduzir a vida. Nos adequamos. Nos encaixamos. Nos confortamos com o que vem dele. Por ele. Para ele. 

Isso, muitas vezes, não fica nítido. Não nos parece que estamos virados totalmente ao outro, deixando à sombra o que deveria reluzir de nós. É só uma forma de não brigar, pensamos. É a melhor maneira que encontrei para que ele não se vá, refletimos. É o certo porque estamos aqui para ser um, acreditamos.

Mas é para ser cada um com a sua parte junto e cada parte o todo. Nunca sozinha. O todo para ter a possibilidade de divisão ou de manter as singularidades. Não é se iludir com a ideia do indivisível. A ideia é de junção. O meu mais o do outro. Soma. Adição. Um peso para duas medidas. Na mesma direção.

É difícil, eu bem sei. É, na verdade, aquele sempre "um dia por vez". E, lá no fim, é possível que a vida nos faça ver que escolher o menos pode ser como ficar com e sem o nada. Aí, sim, tudo vira só uma parte de solidão. E, no caso, a que, provavelmente, vai chorar.



11 de novembro de 2020

Cada um com seus amores

A vida mudou bastante este ano. Na forma de viver, de conviver, de se relacionar, em tantos formatos. Até de amar. Amar não só no sentido romântico. Mas no sentido mais amplo de se dar, se doar, deixar de olhar apenas para si, de virar-se para o outro e zelar por ele. E tudo isso na solidão ou na solitude. Na diminuição dos espaços. No mínimo. Na pausa. 

A mudança e o manter-se nesse caminho, no entanto, dependem das escolhas de cada um. Talvez, para alguns, a vida mostre que chegou a hora de novas diretrizes, de ampliar os limites, de fazer escolhas corajosas para viver. Apenas para permitir-se viver.

Sem o subterfúgio das intenções, o medo dos movimentos sem previsões, o desejo do controle inventado. Porque, de fato, não há controle, não há certeza do que será ou virá. Ou até mesmo o que cada um viverá. E nos privamos de sentir por achar que as dores já vividas podem voltar. Mas, na verdade, nada será como antes. 

Nada se repetirá. Nem agora e nem depois. Nem as dores. Nem as alegrias. Nem as pessoas. Essas chegarão e terão outras cores, outros sabores, outras intensidades. Virão por diversos caminhos, outras estradas, outras áreas, outras delimitações. 

Não há certeza de como pode ser cada uma das escolhas. Boa ou ruim. Clara ou escura. Mas terá imperfeição em algum momento, isso sabemos. Com as possibilidades de ajustes possíveis à perfeição e com a noção de que essa perfeição não chegará. Serão necessárias as concessões de afeto. 

É verdade que alguns podem preferir se manter no lugar onde estavam antes disso tudo. Não assimilar as mudanças. Deixar pra lá e esperar tudo isso passar. No movimento antigo de se segurar, não ver, simplesmente por não querer. Por saber que, uma hora, isso também vai passar. Porque vai passar. E tudo bem não querer mudar. Vai passar isso também.

Pra mim, o importante, nesses tempos atuais, é a sintonia. Mais do que nunca. É ter ideias que se encontram. Ter desejos que se alinham. Ter detalhes tão parecidos numa inevitável parceria. Ter liberdade para ser dois. Juntos. 

A vida continua a nos mostrar que uma coisa não mudou: cada um com as suas escolhas. Cada um com sua vida. Cada um com as suas possibilidades de amores. 

E o que mudou para você?



4 de novembro de 2020

Intuição

Começa assim. É uma voz, às vezes, bem baixinha que parece estar pertinho do ouvido. Às vezes, ela soa como se estivesse em câmara lenta. Já pensei algumas vezes porque isso acontece. Comigo, pelo menos. Acho que pode ser a minha consciência tentando interferir no que está por chegar. Pode ser também a minha vontade de não acreditar no que a voz quer me dizer. E aí, é como se eu tentasse burlar o momento. Por medo. Pra não ouvir. Pra não entender. Pra não saber o que vai acontecer.

Mas olha, eu vou dizer, é quase sempre certeira a mensagem. Lá no fundo, a gente recebe e percebe o que vem com ela e nem sempre quer confiar. E pensa: “ah mas, talvez, desta vez, seja a vez”. Ou então: “ah talvez seja o medo e o medo não pode ter vez”. Talvez, a gente pensa, quem sabe não seja melhor ficar coladinho na esperança de ser surpreendido pelo possível erro daquela voz que já avisou o que será. 

Mas, peraí, a voz também ajuda! E muito. Diz, outras vezes, que podemos seguir adiante, acreditar, apostar. Vai dar tudo certo. Vem junto uma sensação de quietude no peito e, de todo o jeito, a gente quer sorrir com aquela sensação de alívio. 

Muitos dizem que essa é uma especialidade da alma feminina, que, em seu íntimo, tem a sensibilidade de ir um pouco mais além, de ter um olhar amplo, que pode ir em várias direções ao mesmo tempo. Não sei se é verdade. Só uma alma masculina poderia dizer. Só sei bem que a feminina tem!

Mas, mesmo com os avisos, vou contar uma coisa. Só vivendo mesmo pra saber o que vai, de fato, acontecer. E o que pode ser. A questão é não deixar de dizer. Faço isso, na maioria das vezes. Deixo de dizer. Não digo o que senti. Deixo a vida correr. Algumas vezes, no território do outro. Do jeito do outro. No formato apresentado pelo outro. E aí, a minha voz se cala. E aquela voz se faz presente e acerta o que virá pela frente. 

E ela me diz: sim! E também me diz: não!

12 de julho de 2019

Aprender a dividir o tempo


Às vezes, a vida entra numa batida desenfreada e a gente já não consegue manter uma regularidade em algumas coisas. Outras ficam à frente por motivos diversos, porque vamos acumulando essa e aquela e aquela habilidade e somando esse e aquele resultado. Mas, no fim, a gente sempre volta ao que ficou um pouco para trás, busca o reequilíbrio e tenta recolocar as coisas nos eixos.

É assim que a vida me deixa longe, algumas vezes, daqui. Talvez como todos nós em algum momento, né? O tempo vai se sobrepondo e vamos abraçando o mundo com os braços de uma vez. E vamos buscando novos caminhos, sonhando mais, desejando mais, iniciando outras estradas. E até parece desleixo, ou falta de atenção, ou falta de cuidado. Mas não é. Não é mesmo. É falta de aprender a dividir bem o tempo.

Muitas das coisas que ficam de lado poderiam ser encaixadas no tempo que temos apenas pelo simples fato de organizarmos o que precisamos fazer. Parar, colocar no papel os compromissos e estabelecer como resolvê-los dentro de um determinado período. E isso é possível.

Não é fácil, na maioria das vezes. São tantas coisas para desviar do caminho, atrair a nossa atenção, prendê-la por minutos em algo aleatório que nem fazia parte do dia. Compromissos assumidos, novos desafios, a velocidade do tempo. Aquela correria que, muitas vezes, seguimos e nem precisávamos deixar que ela nos levasse assim.

Mas o que fazer com tudo isso? Com tantos e tantos? Como buscar o reequilíbrio e ajustar tudo dentro do nosso possível? Essas são perguntas que minha mente, muitas vezes, se faz. E aí vem o tempo corrido do que já se sobrepõe ao minuto que passou e preciso seguir com o que está à frente.

Não sei quem anda assim. Não sei quem se sente assim. Provavelmente a organização de alguns possa contribuir com a falta de organização e a vida corrida de outros. Quem quiser compartilhar ideias sobre isso, seja bem-vindx! 

Saudade daqui sempre ;) 

1 de maio de 2019

E o seu segundo passo?

Bom, já demos o primeiro passo. Conseguimos identificar o que nos toca profundamente e nos dá a sensação de plenitude, de que estamos inteiros naquele movimento. Tudo bem. Podemos respirar aliviados por alguns minutos e aí vem a pergunta: o que fazer com isso agora?

Não é fácil encontrar o caminho e nem pensar em possíveis mudanças. Até porque, muitas vezes, a nossa imaginação nos leva para lugares em que o risco nos apavora ou para lugares em que o glamour nos cega. E talvez o mais simples seja continuar a pensar no presente, apesar de ser algo que deve ter consequências no futuro.

Um bom começo pode ser colocar no papel as possibilidades que temos para o nosso segundo passo. Posso até contar uma experiência. Após descobrir que a música é o que faz meu coração palpitar verdadeiramente feliz, comecei a buscar aulas de canto, escolas de música, coletivos musicais para me aproximar do meu desejo maior. E fiz as minhas escolhas e as minhas primeiras experiências vieram de várias formas e maneiras. A cada novo passo, descubro que esse movimento foi muito importante.

Então que tal refletir sobre como iniciar o passo em direção ao que se quer? É o passo do presente, que pode até provocar aquela ansiedade de não saber no que vai dar, mas vai começar a abrir as portas que queremos descobrir sobre nossos sonhos e desejos.

E, muitas vezes, podemos até entender que não era exatamente aquilo que nos faz vibrar, mas algo que estava nesse percurso e que precisamos conhecer um pouco mais. No entanto, para compreender isso, é importante que possamos experimentar, arriscar, criar a coragem que parece sumir de vez em quando. Deixar de lado a preguiça, a incerteza, o medo e até o pavor. Acreditar que é possível desenhar a trajetória que queremos.

Para isso, vamos imaginar que cada dia pode ser um descoberta, uma nova faceta da nossa vontade, um novo impulso para ver quem, de fato, somos. Principalmente porque é sobre nós mesmos. Muitos desafios virão, muitas coisas novas nos amedrontarão, muitas decepções provavelmente nos afetarão. Mas cada conquista será a conquista. Cada sorriso será o sorriso. Cada superação será a superação. 

Porque tudo será por nós e para nós. E, no fim, será para todos os outros também. Isso porque se estamos bem, podemos fazer ainda bem mais pelo outro. Se estamos felizes, queremos compartilhar com o outro. Se o nosso equilíbrio está legal, podemos amparar o outro. As coisas boas nos levam cada vez mais ao bem que se quer e que se pode fazer e ter.

E diante de tudo isso, continuamos com a nossa busca de um dia de cada vez. O hoje para construir o amanhã, lembra?

E aí? E o seu segundo passo? Já seria possível começar a pensar nele?

23 de abril de 2019

Quem já deu o primeiro passo?

Nascemos simples e, com o passar do tempo, vamos ocupando nosso ser e preenchendo quem somos com as experiências, com as conquistas, com as perdas, com o que passa por nós e também com o que não passa. São tantas e tantos. 

O imponderável é um fator decisivo. Principalmente porque, em algum momento, queremos ter algum controle ou queremos tentar minimamente nos preparar para o que está por vir. Mas independentemente do que chegar, uma das coisas que pode ser considerada muito importantes na vida é querer algo que nos faça sentir vontade de viver, que aumente a nossa vontade de ser, que nos impulsione a querer construir algo. Não apenas sentir que a vida vai passando, sabe? Mas sentir que tomamos as rédeas mesmo da vida, fazendo escolhas, arriscando por aquilo acelera os corações.

Quem sabe um bom começo para isso pode ser identificar algo que possa suprir as nossas necessidades básicas, algo que nos faça sorrir, que nos faça sentir acolhidos. Algo com o qual podemos nos sentir à vontade para fazer escolhas. Algo que sempre pensamos mas, por algum motivo, deixamos de lado.

Às vezes, pode ser algo simples que vai reverberar de uma forma tão intensa, tão motivante, tão contagiante e nos fazer bem. Às vezes, algo que estava em nosso subconsciente tão vivo, tão cheio de desejos, com tantos sonhos. E tomar uma decisão na direção disso tudo vai fazer uma grande diferença em nós. 

Para quem ainda não conseguiu ao certo identificar o que seria esse desejo, essa vontade, essa necessidade que nos encherá de vida, o primeiro passo é pensar sobre isso. Avaliar o que nos toca de verdade. Mas é um pensar sem cobranças, sem pressa, sem repressão e, quem sabe, sem tanta consciência. É pensar e sentir. Porque é algo que é fluido, que já existe, que já faz parte de nós.

E aí podemos ver e entender que isso pode servir de base para nos fazer sorrir, nos ajudar a chegar ao que podemos escolher para fortalecer o que temos de mais valioso e também de mais bonito: o nosso verdadeiro desejo. E é que nos fará feliz.

Que tal, então, pensarmos no agora, no hoje, no presente para que possamos desejar e construir o amanhã?

Quem já pensou nisso? Quem já descobriu isso? Quem já deu o primeiro passo? 

Como ou por que?

Na vida, em alguns momentos, uma pergunta persiste em nossa mente: como fazer determinada coisa? As ideias surgem, criamos e regamos os noss...