16 de setembro de 2018

Finitos e infinitos

Somos cíclicos e finitos. Iniciamos e terminamos tudo na nossa vida. Início, meio e fim são itens comuns para o nosso dia a dia. Seja no que nos é pessoal, no trabalho, até o amor que, muitas vezes, é infinito enquanto dure. Claro que com licença às crenças espirituais de vida pós-morte, estamos falando de algo mais pragmático. Talvez projetos, projeções, apostas, desejos, relações e podemos incluir o que é físico. Somos cercados pela finitude do todo. Nosso corpo e a nossa mente estão acostumados a finalizar tarefas, desejar pelo fim, buscar a conclusão.

E esse pensamento pode nos levar às questões das redes sociais atualmente. São praticamente infinitas com atualizações e mais atualizações, mesmo que esse ou aquele assunto volte à toa, elas continuam a atualizar e trazer mais informações, atualizar e mais informações, atualizar, atualizar, atualizar. Muitas e mais vezes. Infinitamente.

Passamos os dedos de baixo para cima nos nossos smartphones numa busca pelo o que está por vir. Qual a próxima novidade? Qual a próxima foto, seja lá de quem ou do que for. Qual a próxima, a próxima, a próxima? 

Essa sensação de infinito contrasta exatamente com a nossa essência finita. E aí, algumas vezes, tudo isso nos funde a mente, nos deixa exaustos, nos deixa ansiosos e conectados com um formato que não nos individualiza. Mas não nos deixa com a impressão de estar ao relento e, sim, imersos ao todo. E aí muitas vezes sentimos diversos ir e vir de sensações: acelerar, anestesiar, prender, desfocar, despertar, impulsionar, subir novas montanhas. 

Tudo isso pode estar ligado a uma ansiedade sem controle. E aí isso pode, de verdade, nos afetar e nos fazer mal. O quanto só cada um de nós pode saber e sentir. Vai depender do que temos de limite, do quanto o ilimitado nos afeta, do quanto conseguimos medir e compreender o que não tem fim. 

E quem já se sentiu assim?




17 de agosto de 2018

E a beleza, de onde vem?

Beleza. Tanta beleza pelo mundo. Já paramos para pensar sobre como ela toca cada um nós?  Talvez seja algo tão subjetivo e apenas pensado e definido pela retina de quem vê. Beleza pode ser a escolha de um gosto individual que pode até passar por uma tentativa de ser medida por um grupo que compartilha de opiniões que caminham para a mesma direção. Mas não há como ser uma definitiva verdade para todos. Não há. Vemos isso se observarmos por todos lados as tantas possibilidades. Mesmo a beleza denominada mais exuberante do mundo pode não ser tanto assim para alguém. Mesmo aquela apontada como universal pode não ser a mais das mais para todos. 

Talvez o que nos ajudaria a desenhar um parâmetro para a definição do que é beleza pra cada um de nós seria voltar o nosso olhar para o meio que nos influencia, ao que somos submetidos, onde flutuamos e que tipo de referências temos. Ele, sim, pode não só nos influenciar mas nos empurrar a uma máxima eleita pela massa. E, desta forma, nos vem aquela sensação de que pertencemos a um grupo que fez a escolha da beleza. 

Não sei se todo mundo pensa ou percebe assim. Mas nascemos uma página em branco e, com o tempo, os conceitos vão se formando.  Na grande maioria das vezes, baseados em parâmetros pessoais oriundos de vivências, comparações, opiniões, perspectivas e, muitas vezes, expectativas. Jogamos, às vezes, no outro as nossas aspirações e encontramos nele o mais belo, o mais bonito, o mais desejado. Por vezes, o que está do lado de fora dele.

E aí nos perguntamos. E a beleza, de onde vem? Vem das métricas idênticas dos dois lados de um rosto? Vem do corpo estampado nas revistas ou na tv? Vem dos moldes ou modelos definidos por cada época social, impulsionados pelo o que aquela determinada cultura determina para determinado período? É tanta gente pra determinar tantas coisas que, na velocidade do nosso tempo, aceitamos sugestões impostas e imposições sugeridas.

E esquecemos mesmo de observar a beleza que mora logo ali dentro de um coração amoroso, paciente, benevolente, gentil. Esquecemos que o corpo envelhece, perece, vira pó. E que ele passa, chega ao fim. O que não passa e não esquecemos é o que cada corpo carrega bem ali dentro, ali no fundo. Beleza interna e, muitas vezes, transparente, explícita, infinita.

2 de agosto de 2018

Viver bem

Não vamos dar ao outro o poder de nos tirar do sério. É isso muitas vezes que acontece no nosso dia a dia. Nós nos deixamos afetar pela ação, agressão, má vontade, falta de educação, falta de conhecimento do outro. Sabe aquela história que nossos pais diziam quando éramos crianças? Se o amiguinho chamou você de bobo e você não é bobo, então não liga pra isso. Acho que é muito por aí o caminho.

Estou com essa ideia na cabeça desde o mês passado e não conseguia parar para escrever. Resolvi isso no metrô pelo celular mesmo. As ideias foram vindo e memórias recentes se acendiam na mente. Porque é assim, a gente passa por isso, respira, reage ou não reage e depois reflete. Por conta do meu constante exercício e muito esforço diário de tentar olhar para o outro que ofende com olhos de benevolência, passei num teste recentemente quando uma pessoa não só foi debochada mas grosseira no telefone. E grosseria e deboche são duas coisas, pra mim, difíceis de lidar.

Mas consegui pensar num milésimo de segundo que estava tudo bem, que a pessoa do outro lado da linha deveria estar infeliz, deveria estar insatisfeita, deveria ter sido rejeitada de alguma forma, deveria estar chateada para ser desagradável diante de uma simples consulta que lhe foi feita e de uma resposta que deveria ser também simples. 

Tudo bem. Não liguei. Não reagi com a mesma energia. Agradeci. Desliguei. Deixei aquele calor que sobe pelo rosto no momento da ofensa passar. E respirei com todo alívio do mundo por não me deixar envolver por aquela energia ruim da pessoa naquele momento. Sorri. Ouvi um pouco de música, só um pouquinho por conta do trabalho, cantarolei, cantei mais um pouco, sorri de novo e tudo voltou ao normal.

Nem sempre foi assim. Tinha uma resposta na ponta da língua pra rebater a qualquer um, mesmo que não fizesse sentido algum. Mas a questão é que eu não podia perder aquela batalha. Afinal na batalha de ser desagradável, eu queria ganhar e deixar o outro com o desconforto que me provocara. Nossa! Pensar que isso é uma batalha é realmente pesado. Que peso é carregar isso. Descobri isso.

Não foi fácil aprender que isso era desnecessário. Que isso me exigia muito e me deixava exausta. Recebi a sugestão de deixar passar. De início, me ofendia ainda profundamente mesmo sem reagir. Ali dentro de mim, dava uns gritos. Reclamava comigo, me achava injustiçada. Não digeria bem. 

E aí recebi nossa sugestão. Receba, entenda que isso existe, que é o que a pessoa pode naquele momento e deixe  passar o que não é seu, a energia que não foi criada por você e com a qual não se sintoniza no momento. Ainda bem que ouvi, assimilei e estou conseguindo lidar com esse meu tipo de impulso reativo. Pensei que seria uma boa compartilhar isso. Claro que cada um pensa de uma forma e tem um temperamento. A ideia foi compartilhar mesmo.

Até porque todos nós temos aquele momento que o caldo quase entorna, que a energia quase explode. E tem dias que explode mesmo. Tudo dependerá do limite daquele dia, do ânimo daquele dia, dos aborrecimentos que absorvemos ou que deixamos passar. Acredito que só conseguimos lidar com o outro quando fazemos o esforço de lidar com a gente mesmo. Com as nossas frustrações, aborrecimentos, medos, decepções. Porque quando estamos no equilíbrio temos mais condições de dizer não ao desequilíbrio que nos sugerem. É fácil? Não mesmo! Mas é um caminho. O meu é esse agora. É a minha opção de viver bem e melhor comigo atualmente. Para viver bem com o mundo. 

Desculpem demorar tanto tempo para voltar aqui! A correria tem sido grande!

7 de julho de 2018

Ser gentil

Ser gentil não é ser subserviente ou bonzinho. Nem trouxa. Ser gentil é dividir com o outro o sorriso, a atenção, o bom humor. E tentar contaminá-lo com o que há de bom na vida. Ser gentil não é servir, é trocar, dar exemplo, compartilhar. É ser mais, é fazer o bem, é compreender que o outro é diferente, é testar seus próprios limites. E aprender a relevar o que é, muitas vezes, tão pouco diante das dores e das maldades do mundo. Essas coisas que, por sinal, estão nos deixando cada vez mais doentes, mais tristes, mais infelizes. Deixar a dor, a maldade, o egoísmo, o pouco caso nos afetar faz com que tudo isso se espalhe à nossa volta. 

A vida é feita de escolhas. Sim, ninguém é todo tempo feliz ou triste. Sim, ninguém consegue anular seus problemas num piscar de olhos. Sim, vamos chorar, vamos espernear, vamos nos frustar e vamos sofrer. Ninguém vai dizer que a vida será sempre uma lindeza e nada vai oscilar ou dar errado. Quem disser isso não deve saber o que é viver neste mundo louco. 

Não é essa a questão. A questão é o que vamos fazer com isso. Vamos nos afundar na tristeza, na depressão, no aborrecimento, no deixar de ser ou fazer do outro? Vamos abrir mão de tentar algo, reagir, reformular, retomar o caminho? Porque alguém não foi legal ou não nos apoiou ou não acreditou em nosso potencial ou não nos amou como gostaríamos? Vamos desperdiçar o momento, o passo à frente, a vida?

Não. Até podemos parar no caminho e entregar os pontos. Certamente em algum momento já fizemos isso. Ou vamos fazer. E se pararmos para pensar e lembrar desse exato momento em que nos abandonamos, vamos observar o tempo que perdemos dando atenção demasiadamente excessiva ao que achávamos ser o melhor do mundo no momento. E muitas vezes, vamos ver que esse melhor do momento vai passar ou vai ser superado ou vai se renovar.

Mas aí pode ser o ponto. É aí que podemos passar a fazer e escolher o que realmente importa. Só reclamar de nada vai adiantar. É só olhar para trás e relembrar, puxar na memório mais uma vez. Nada melhor do que as experiências para nos ajudar na direção a tomar. O problema é que esquecemos e repetimos, repetimos e repetimos um padrão. E reclamamos mais ainda. Ser gentil é antes de tudo ser gentil com a gente mesmo. 

14 de junho de 2018

Mau humor também passa

Nosso mau humor não tem o direito de interferir no dia do outro, nem no humor do outro, nem na vida do outro. Muitas vezes estamos em momentos difíceis, conturbados, inesperados, que nos geram ansiedade, irritação, impaciência. Quem nunca passou por isso? Quem nunca se viu numa situação de não querer se comunicar com o mundo, com o outro, nem com o vento, nem com qualquer coisa que seja? A vida nos leva a diversos momentos assim e ainda bem que são passageiros. Uns demoram mais do que os outros. Mas passam.

Tudo bem. Sabemos que isso não será para sempre assim. Então é importante pensar em como evitar que isso contamine o nosso ambiente. Porque quem acha que não contamina está completamente errado. Uma respiração profunda soltando o ar como se quisesse soltar tudo o que existe no universo e praticamente para declarar a indisposição já é um sinal. É um bufar, reclamar, jogar o ar para fora. Ou uma resposta atravessada, com aquela cara blasé de quem não queria responder ou nem estar ali. Aquela virada de olhos que só nós sabemos dar em momentos ruins, que leva junto a sobrancelha. Aquela expressão de quem não quer saber de nada mais do mundo além dos seus próprios problemas.

Sim. Isso existe. Somos muito assim. Muitas vezes, inclusive. Temos problemas e achamos que eles são os maiores do universo. Muitas vezes são porque são nossos e não temos a menor habilidade de lidar com ele. E aí engasgamos com isso, não sabemos como dissolver aquela sensação que fica no peito como se embolasse o mundo numa mistura de tudo o que nos faz mal. 

De fato o problema é nosso e não do outro. Então não nos cabe jogar no colo do outro toda essa soma de coisas estranhas, esquisitas, descompassadas. Não temos o direito de desestabilizar o outro que, na maioria das vezes, não participou do nosso problema. Não é justo. Mesmo quem participou para nos deixar sem rumo não deve levar toda a culpa. Porque se fomos atingidos é porque nos deixamos atingir e estávamos suscetíveis a isso. A culpa pode até ser dividida. Mas e quem não tem culpa?

E aí como podemos pensar no que é justo se a vida não está sendo justa conosco! Será que vamos nos preocupar com o outro? Vamos sim. Principalmente com quem não tem nada a ver com o que nos tira do sério. E quem disse que não é justo o que passamos? Vamos deixar nosso ego e nosso egoismo de lado para adotar a leveza e a humildade. E entender que somos imperfeitos, enfrentamos dificuldades e vivemos com o outro e precisamos do outro. 

Do abraço, do olhar carinhoso, do colo, da atenção, de dividir o que é possível.  Da compreensão, do ouvido, da opinião do outro. De tantas e tantas coisas. Vivemos em comunidade e precisamos lembrar a importância de querer para o outro o que queremos para nós. E, assim, viver bem e reencontrar a nossa paz. 



5 de junho de 2018

Comece!

Vamos começar. Não importa o que dizem. Não importam as possibilidades. Não importam as dificuldades. Não importa saber com antecedência se vai dar certo ou não. Dar o pontapé inicial em algo é fundamental para saber se existe uma chance do universo conspirar por nós. Algumas vezes não confiamos muito no que pode acontecer e deixamos passar oportunidades que podem se tornar momentos tão felizes e surpreendentes. Outras vezes não acreditamos no nosso potencial pelo simples fato de que não nos experimentamos nessa ou naquela situação. E, na tentativa, descobrimos um mundo de caminhos novos e possíveis.

Bom, vamos começar. O início, muitas vezes, pode nos parecer cruel. Como podemos investir no que não sabemos se dará um retorno positivo? Tudo bem. Vamos, então, refletir se queremos de verdade dar esse passo. Queremos mesmo? É algo que nos toca profundamente no campo dos desejos? É aquilo em que nos vemos com um sorriso largo no rosto? Sim! Mas será que vai dar certo?

Bom, vamos lá. Ainda não temos uma bola de cristal para saber com antecedência as vitórias e as derrotas. Mas provavelmente conhecemos muito bem a frustração de não ter tentado nunca. Podemos até não sentir logo de início essa frustração. Talvez não seja algo que vai parecer tão nítido logo. Mas, certamente, a vida vai nos cobrar mais adiante. Lá no fundinho da nossa alma, vamos ter sempre aquela dúvida do que poderia ter sido se, se, se, infinitamente se.

E esse é um momento tão duro pra nós. Principalmente porque, às vezes, o tempo passou e não temos mais como voltar atrás. Há coisas atemporais. Mas também há coisas que o determinado tempo nos dá a chance de escolher agora ou agora. O que podemos fazer então? 

Ter coragem, arriscar, acreditar que, se não for para acontecer, o universo vai dar um jeito de mudar a nossa rota. Mas, se for parte da nossa história, todas as portas vão se abrir. Mesmo que pareça a maior loucura do mundo e a coisa mais impossível de todos os tempos. Então vamos começar agora, já, nesse momento, nesse minuto, todo o tempo!

E o que você ainda não teve coragem de começar?

27 de maio de 2018

Pensamento, extensão de nós

O nosso pensamento é uma força criadora que nos move, nos impulsiona, nos orienta. E, por meio dele, agimos, escolhemos, acreditamos, vivemos tudo, tudo. E também cabe a nós decidir o padrão de cada momento das nossas vidas. Podemos permanecer com a leveza da vida, mantendo pensamentos bons, leves e deixando de lado o que é pesado, duro e excessivo. Ou podemos optar pela dureza, pela tristeza, pela raiva, pelo descontrole quando escolhemos  continuar com a energia do que nos afeta e nos tira do nosso rumo.

Muitas vezes achamos que eles nos comandam incondicionalmente e todo o tempo e sem o direcionamento do nosso desejo. Muitas vezes achamos que são completamente independentes. Muitas vezes são aparentemente assim. E são mesmo. Mas, no fundo, dependem da nossa vontade, da nossa opção em cada passo, da nossa escolha para a vida. Às vezes, eles podem durar poucos segundos para uma só ação. Outras vezes podem durar um tempo bem maior. E, às vezes, eles ficam só ali no campo da imaginação.

O que ele costuma nos dizer é que somos livres para escolher. Nem sempre isso parece tão nítido e parece até que somos movidos por uma força ainda maior. Emoções fazem isso. E são como pensamentos acesos e banhados na luz que direciona a sua intenção. Sai como um raio algumas vezes e é mais rápido do um piscar de olhos. Mas ainda assim é possível fazer a escolha cada vez que ele nos chega.

A rapidez do pensamento está ligada à nossa capacidade de raciocinar, de sugerir, de propor. Pensamos que isso pode ser quase impossível em determinada situação e isso acontece porque optamos pela impulsividade. Mas temos condições de escolher, sim. Somos capazes de recuar aquele segundo necessário à reflexão. Como é de costume nos casos em que precisamos mudar algo em nós, o exercício constante nos ajuda. Ajuda e muito!

O que talvez pode ser importante para nós é pensar que o pensar, o refletir, o analisar, o racionar, todo verbo ligado à nossa forma de pensamento pode nos levar muito além, se optarmos pelo lado positivo, pelo sorriso, pelo fluido, pelo simples, pelo doce, pelo leve, pelo bom, pelo justo. Pelo nosso bem. E o bem de todo o resto.


Finitos e infinitos

Somos cíclicos e finitos. Iniciamos e terminamos tudo na nossa vida. Início, meio e fim são itens comuns para o nosso dia a dia. Seja no qu...