25 de fevereiro de 2018

Em que tempo você vive agora?

Às vezes é difícil compreender o tempo das coisas. E conseguimos entender que uma nova escolha foi realmente boa quando somos capazes de parar de olhar, de fato, para o passado. A partir daquele momento em que percebemos que o tempo resolveu tudo. 



Isso vem assim que deixamos o que ficou para trás com tranquilidade. Sem culpa. Sem lamento. Sem saudade extrema. Uma saudade pode até aquecer o coração de vez em quando naquela recordação bem resolvida, sabe? É quase um suspiro de alívio que indica que a vida pode voltar a andar a partir daí.

Outras vezes queremos parar o tempo, arrastá-lo para continuar naquele instante, suspendê-lo no segundo exato de alegria. Mas aí descobrimos que os ponteiros seguem e não cessam. O relógio continua na sua marcha. E que o melhor é focar no presente, aproveitar o máximo oferecido pela vida. E se passou, vamos seguir.

Ao passarmos por coisas assim, é possível que contradições venham. Às vezes, é como se, ao mesmo tempo em que queremos desacelerar por um lado para viver o momento, por outro queremos correr, correr, correr. Porque um dia disseram que deveríamos correr atrás da felicidade e deveríamos fazer tudo e mil coisas ao mesmo tempo para isso e deveríamos ainda aprender a viver sob pressão da perfeição e da competência em tudo. 

Mas aí voltam as imposições do nosso querido tempo. Não adianta adiarmos ou retardarmos o que for pelo período desejado. Tudo tem a sua hora, com fases que vão do início ao fim. E, algumas vezes, nos surpreendemos ao ver que o fim ainda não é o final. Pode ser uma mudança, uma pausa, uma transformação. Talvez para que se estabeleça em outros formatos, com outras cores, com novos sabores. O tempo é capaz de permear cada vivência e uma das opções é virar tudo pelo avesso. Já passamos por isso, certo?

Ah tão bom ter o tempo que norteia tudo! E nos diz tantas vezes que, não vai adiantar viver no passado e não adianta querer que chegue logo o futuro, se não estamos inteiros no presente. 

Seria tão maravilhoso que a nossa consciência entendesse a importância de querer o agora, apesar dos pesares e das fases. Sem as tantas e tantas ânsias e impaciências! E quem vai nos dizer que isso é fácil?! 

E aí? Em que tempo você vive agora? 






21 de fevereiro de 2018

Cuide das marcas em sua vida

Piadas de mau gosto? Não gosto. Brincadeiras maldosas? Não curto. Deboche direcionado a alguém? Não lido bem. Comentários com crueldade e zombaria? Não consigo engolir. Ridicularizar o outro? Não me sinto bem. 

Isso é bullying, sabe? Aquela rejeição tendenciosa de pressão psicológica feita sobre alguém com objetivo de chatear, expor, agredir, menosprezar, provocar dor. Esse tipo de maldade pode ser de adulto para adulto. De criança para criança. 

E sei bem o que é isso. Sofri na infância assim que cheguei a uma nova escola ao me mudar para uma nova cidade, uma cidade pequena, com a família. Ainda bem que minha memória me ajudou e apagou muitas coisas, mas ainda tenho flashes como o das minhas mãos que batiam em paredes chapiscadas quando me empurravam.

Na época, venci essa fase com esportes. Passei a fazer várias modalidades esportivas e isso durou anos. Ganhei, perdi, conquistei medalhas individualmente e em grupo, aprendi a competir e fui muito feliz. As boas lembranças ficaram.

Há pouco tempo, depois de uma experiência com uma terapia baseada na escuta do corpo, tive contato com outros fatos da minha vida que me fizeram me deparar com momentos de rejeição.

Coisas que nem eram tão claras e vivas na memória mas que habitam meu inconsciente e que muito provavelmente me atrapalham e me bloqueiam em momentos de decisões e escolhas. Momentos que me remetem a essas sensações, entende?

O bom é saber que a consciência de ter sofrido, vivido e superado diferentes coisas e situações na vida me ajuda muito nas decisões de hoje em dia. Naquela hora em que eu me reconheço com a sensação de rejeição e tenho o direito de fazer uma escolha.

E aí eu reflito e identifico algumas reações instantâneas que são movidas por isso, sabe? Aquele medo que bate quase sem sentido. Aquele impulso que me faz dizer um não sem pensar. Nesse momento, eu investigo os meus sentimentos, tento entender o que está acontecendo e volto atrás quando necessário. 

É o meu exercício comigo mesma. E como nos esportes, às vezes eu ganho e, outras vezes, eu perco. E tudo bem! Não tem problema a velocidade disso. O importante é continuar. É o que me leva nessa busca de ser mais leve.

Não sei porque mas tive uma vontade quase incontrolável de escrever sobre isso. Não só para dizer que, como somos a soma de tudo o que vivemos e aprendemos, acredito que seja muito importante cuidarmos das coisas que não deram certo nas nossas vidas e nos deixaram marcas. E que possamos encontrar a nossa melhor forma de fazer isso!

E acredito também que não só quem tem essas marcas na vida, mas aquele que nunca passou por isso poderia contribuir com gestos generosos, carinhosos e pacientes ao saber de casos assim.

E, quando tiver a oportunidade, ensinar aos pequenos a importância de respeitar o outro, compreender que as diferenças existem, que sempre chegarão pessoas novas na vida e que é importante dar as mãos a quem precisa se adaptar num novo lugar, seja onde for.

Acredito muito em ação e reação na vida. E que recebemos de volta, de alguma forma e no tempo que for, tudo aquilo que fizemos. Que possamos receber pelo bem praticado nas nossas escolhas do nosso dia a dia!

Cuidem das suas marcas, viu!









16 de fevereiro de 2018

Uma questão de afinidade

Sabe aquele momento em que olhamos nos olhos do outro e vemos o quanto não precisamos explicar o que sentimos ou pensamos? Somos aceitos sem questionamentos porque somos o que somos e o outro simplesmente entende isso. Perdemos da mesma forma que ele e nos enchemos de esperança pelos mesmos motivos. Sorrimos juntos. E choramos também. É aquela afinidade que não se explica, sabe? E que não temos com todo mundo.

E na frase "e até quem me vê lendo o jornal, na fila do pão, sabe que eu te encontrei", da música Último Romance, da banda Los Hermanos (e que foi ontem para o meu projeto Toda Metade, com vídeo novo às quintas-feiras), vejo bem isso. É uma questão de reconhecer-se no outro.


Afinidade é um sentimento independente, daqueles sem exigências. Ele é por si só. Está sem ter que ser. Nasce num encontro de energias semelhantes. É um encontro feliz. É uma descoberta bonita em que nos vemos no outro. É sutil e suave, sem imposições.

Podemos encontrar afinidade dentro de casa ou até mesmo bem longe da gente. Também podemos não ter nenhuma com quem está ao lado ou por perto. E tudo bem se for assim. Afinidade não se força.

Talvez até seja possível amenizar essa questão em algumas situações em que ela é latente, ainda oculta, mas dá sinais de que pode desabrochar. E isso tem uma relação bem suave com aquela boa vontade sincera que brilha no nosso olhar de benevolência e é direcionado a esse outro. É aquela pontinha de afeto ainda submersa.

Acredito que seria importante pensarmos, se temos o direito e a opção da escolha, que pode não ser uma boa ideia manter uma convivência forçada com quem não temos afinidade alguma. Digo no caso de escolha. Até porque existem casos em que não temos essa escolha.

Isso pode nos fazer um mal que talvez nem possamos detectar de início. Mas é possível que, com o passar o tempo, isso venha a minar as nossas energias. É um desgaste diário. É um desperdício de força.

Pode ser esse o caso de pessoas que aparecem em nossas vidas com desejo de sustentar uma aparente afinidade, mas com o intuito de ficar ao lado para extrair algo que interessa. E, algumas vezes, elas podem nutrir, inclusive, uma certa inveja velada. Quem nunca passou por isso?

Às vezes, pode ser difícil enxergar isso. Às vezes, pode ser dolorosa essa descoberta pela aposta de carinho que fizemos nessas pessoas. Então vamos tentar observar, vamos olhar além, vamos questionar, vamos ter coragem de sentir de verdade.

E compreender, assim, a necessidade de nos afastarmos do que não alimenta a nossa alma. Do que não sintoniza com a nossa energia. Do que não soma com o amor que temos para dar e trocar. 

E as suas afinidades na vida?

Último Romance - https://youtu.be/vd2JbEcu-KE




13 de fevereiro de 2018

O que superar com a entrega?

Eu escuto e canto essa música de Gonzaguinha e penso no significado que ela me traz: a entrega. Sei que cada letra e cada melodia toca cada pessoa de uma forma independentemente da intenção ou da história pessoal do compositor


E essa aí me faz pensar como são tantas e tantas as formas de amar, as formas de se relacionar com o outro, as escolhas feitas, as formas de usar a intensidade, entregar-se de corpo e alma e deixar o corpo falar ao extremo, doar até o sangue. Sangrar. Render-se.

A vida pode ter, sim, a intensidade, a expressão em toda a sua força, potência e doação. Aquelas escolhas daqueles que vão de peito aberto e se jogam. De quem transborda, não se limita, não se intimida com os riscos. E, muitas vezes, até anula o receio que sente.

Sei que cada um tem a sua forma de amar, de agir, de escolher. Cada um tem a intensidade que pode ter e alguns a intensidade que podem suportar. Eu sou intensa da minha forma. Admito que não sei ser todo o tempo assim intensa, intensa ao extremo. Medos, receios, travas, várias limitações também me mostram o caminho a tomar na tentativa de superar a cada um deles. E, às vezes, são coisas ao mesmo tempo para superar. 

É possível? Sim! Super possível. Mas preciso me esperar, me ouvir, entender o que eu posso naquele momento. Até porque eu não sou a mesma em todos os momentos. Mudo, aprendo, volto atrás. E aí posso  tentar subir mais um degrau aos poucos e devagar. Ou mais rápido num outro momento. Mas só eu posso saber!

Já perdi muito tempo com medos bobos. Já fui feliz por me lançar ao que eu queria. Altos e baixos da vida. Coisas tão normais. Perdas e ganhos. Coisas mais normais ainda. Pensei em tantas coisas que ultrapassei nos últimos tempos. Fico orgulhosa de mim. Já outras coisas eu ainda não consigo pensar. E tudo bem também! O importante é caminhar.

Acredito, sim, que podemos buscar uma intensidade na vida. Experimentar, arriscar, propor, desafiar, testar. Mas sem agredir quem somos de verdade e sem aceitar o que não está de acordo com a nossa essência. 

Essa música me faz refletir sobre isso!

E você, já pensou no que quer superar?







8 de fevereiro de 2018

Deixa eu bagunçar você

"Deixa eu bagunçar" você é uma frase da música "Zero", de Liniker e os Caramelows, a escolha de hoje para o "Toda Metade", meu projeto de covers no canal do Youtube. Toda quinta-feira rola um vídeo novo, lembra?

E foi depois de ver uma entrevista concedida por Liniker que tive a ideia de escrever sobre padrões e como eles nos afetam. Existe na nossa sociedade e até mesmo dentro da gente essa corrente que nos arrasta e nos diz que é necessário se encaixar em determinados padrões ou seguir determinadas estéticas. E aí, eu pensei: que tal bagunçar um pouco de tudo isso aí dentro da gente?



Esse negócio de "precisar seguir padrões" geralmente surge lá na nossa infância. Crescemos vendo e ouvindo os adultos - os nossos pais, familiares, professores, amigos dos nossos pais - que diziam e davam exemplo do que deveríamos nos tornar. E, muitas vezes, seguimos esse fluxo. 

E a partir daí, passamos a nos influenciar, às vezes, até de certa forma inconsciente, por conceitos estipulados (não sei por quem!) que ditam o que é feio e bonito, bom e ruim, certo e errado, só para citar alguns. 

Não estou falando sobre conceitos de ética de certo e errado, claro! A ideia é falar de padrões e estética, tudo bem? Porque não se "encaixar" nisso pode virar muitas e muitas vezes dor e medo.

Medo de não ser bom o suficiente, medo de não ser feliz, medo de não ser amado e não amar, medo de sentir-se só, achar-se sem graça, não enxergar a sua beleza, não conseguir ser o que se quer. Essa lista pode ser grande infelizmente.

E isso é duro. Muito. Mas então vamos pensar. Quem determinou ou padrões? Quem disse que eles são corretos? Quem disse que eles servem para todos? Quem disse que são verdades absolutas? Não! Não são! 

Então não vamos ser quem não somos. Não vamos ser tóxicos com a gente. Não vamos nos martirizar porque somos diferentes dos outros. Até porque somos realmente diferentes. Todos nós. Vamos nos olhar e entender quem somos de fato!

Eu sei que, algumas vezes,  não gostamos de alguma coisa na gente ou na nossa imagem e nos sentimos sem forças para mudar. Quem nunca? E aí vem a proposta! Que tal melhorar algo agora? Que tal tentar se gostar e se amar? 

Vieram, então, algumas ideias para dar início a essa "desintoxicação".

Não vamos acentuar o que não gostamos na gente. Sabe quando aquela olhadinha no espelho fica difícil e a gente não curte algo? Aquele detalhe que parece gritante! E os  outros dizem que não enxergam isso e a gente vê, sabe? Tudo bem! Vamos lá! Podemos mudar ou melhorar? Se não estamos felizes com nosso peso (o meu caso no momento), por exemplo, vamos nos comprometer com o que desejamos e buscar um caminho para emagrecer. Ah é difícil! Sim! É mesmo! Mas com força de vontade, vai rolar! Ah não gosto do meu cabelo! Beleza! O que podemos fazer? Um novo corte? Pintar? Vamos ver as dicas nos várioooos blogs das amigas! Ah meu problema é meu nariz! Não posso fazer cirurgia! Vamos aprender, então, uma make maravilhosa para ajudar! Enfim! Não adianta a gente só reclamar e não tentar fazer algo.

Não vamos nos desvalorizar. Temos nossos pontos fortes! Uns têm habilidades manuais (eu sou uma negação!), outros preferem tecnologia, outros gostam de planejar e de detalhes, outros gostam de matemática, geografia ou filosofia, outros sabem cozinhar ou fazer uma maquiagem linda (ihh não sei!). Certamente temos habilidades! Mais de uma! E se não sabemos, basta prestar atenção no que os outros falam sobre nós e sobre as nossas qualidades. Isso ajuda! E vamos investir nisso!

Não vamos nos limitar. Vamos nos desafiar. Se não conseguimos fazer algo sozinhos, vamos tentar uma vez que seja. Se não conseguimos escolher um caminho, vamos nos arriscar e nos impor na escolha. Se não tivermos coragem para fazer algo, vamos nos jogar! Não vai doer. E se doer, vai passar. Tudo passa!

E não vamos ter medo de ser diferentes! Não queremos casamento, tudo bem! Não queremos filhos, tudo bem! Não queremos uma faculdade, tudo bem! Queremos só um banquinho e violão para tocar, tudo bem também! rs A vida é nossa e as escolhas, as alegrias e os arrependimentos são nossos! O bom é sempre tentar o que o nosso coração pede!

O que pede o seu coração ultimamente?








5 de fevereiro de 2018

Como você reage?

Estive pensando em como eu era reativa e reagia instantaneamente em algumas situações e, de uns tempos pra cá, isso mudou. Perdi esse impulso de me expressar, discutir e colocar em qualquer situação o que eu pensava, que me parecia ser uma coisa quase incontrolável. Eu via, ouvia ou lia algo que estava totalmente em desacordo com a minha opinião e, muitas vezes, queria dizer o que eu achava. Que ego danado esse, meu Deus!

É. É isso mesmo. O meu ego era quem falava logo. Provavelmente dizendo algo assim: "como essa verdade, que não era a minha, pode ser verdade?". Hoje eu vejo isso claramente e sei que esse meu impulso era controlado pelo meu ego. E percebi isso há um tempo quando fiquei exausta após uma discussão, quase um "embate", com um amigo sobre o destino. Veja só. Sobre o destino. É muito louco pensar que eu tenha que discutir exaustivamente com outra pessoa sobre o que eu penso sobre o meu destino, sobre o que faz sentido para mim e não faz para ela. Era só dizer que estava tudo bem. E que cada um, então, seguisse o seu destino da forma como desejava. Pronto. 

Há um bom tempo consegui enxergar isso, mas antes eu queria dizer o que eu pensava e queria que o outro concordasse, sabe? A sensação era de que eu precisava contar a minha verdade para ajudar o outro. Mas, na hora, minha consciência parecia não entender que o outro era diferente, que ele tinha a verdade dele e que aquilo era uma escolha pessoal. Ficava com uma sensação de que o outro poderia sofrer com aquela verdade. Mas quem disse que isso aconteceria de verdade?

E depois desse dia em que nenhum dos dois venceu e cada um continuou com as suas teorias firmes (cada um estava convicto de suas ideias e crenças e as coisas eram tão antagônicas que não havia como concordar com esse ou aquele argumento), fiquei pensando nisso e não achava um motivo forte para me lançar numa nova empreitada de combate como essa.

Foi aí que a minha chave virou. Resolvi fazer testes com o meu ego. Resolvi experimentar apenas ouvir, ler ou ver a opinião do outro muito contrária à minha e não reagir. No início, exercitei o autocontrole. A sensação é de que o peito quase sufoca, como se as palavras quisessem jorrar de mim. E aí eu cantarolava algo baixinho (música sempre me ajuda em qualquer situação) e pronto. Ufa! E ficava tudo bem, nada mudava e, então, vi que aquilo era super viável e muito necessário. Veja só isso. Como o ego é algo tão imperativo, né? 

Bom, eu percebi com isso que não adiantava impor minha opinião ao outro porque isso não fazia diferença para mim ou para o outro. Não estou aqui dizendo que os debates ou as trocas de ideias não são bons. São super ricos, importantes e válidos. Não só para o aprendizado, para se ouvir, para pensar nos seus argumentos, para ouvir teorias diferentes e pensar sobre elas, para compreender como pensa o outro, para contestar uma mentira, para revelar uma verdade de um fato, para defender outro alguém ou a si mesmo ou apenas para filosofar. São tantas as possibilidades e tantas as coisas positivas num debate! Mas estou falando da forma como se debate, da forma como se discute, entende? Mesmo que a intenção seja boa.

Estou falando aqui do desejo do ego em superar o outro, em persuadir o outro. Falo sobre aquela intenção da discussão comandada pelo ego. Falo sobre estar fechado em crenças e apenas se ouvir. Falo sobre aquele pensamento em nunca ceder que já surge antes mesmo de começar a falar sobre o assunto. Acredito que muitas pessoas entendam isso.

Eu gosto de debater, de discorrer sobre assuntos diversos, de filosofar, viver, sabe? O que eu descobri é que, no fundo, não gosto de discutir. E descobri isso porque numa discussão desequilibrada uma energia negativa, uma energia pesada passa por dentro de mim antes de sair de mim com as palavras que vou usar para discutir. Essa energia, então, já mexe com o meu corpo, me desestabiliza, mina as boas energias. E depois essa energia ainda é lançava em direção ao outro. Não. Definitivamente não gosto desse tipo de discussão.

As palavras têm energia, eu acredito. E percebi que esse tipo de coisa me deixa exausta. E que ter consciência e ciência do que eu penso, saber e refletir sobre o que acredito e no que me faz feliz são coisas que podem realmente fazer uma grande diferença para mim. 

Há algum tempo eu falo e busco as reações mais reativas comigo mesma para saber quem eu sou, o que quero, quando quero, o motivo disso e para onde vou. Isso me impulsiona. Essas certezas também me deixam mais relaxada e mais revigorada e são muito mais importantes do que desperdiçar minha energia. E a minha vida fica infinitamente melhor assim. Leve. Em paz.

E por falar em coisas imperativas, deixo aqui essa música da Marisa Monte, uma composição feita no modo imperativo, a última  do meu projeto "Toda Metade", que faço todas as quintas-feiras no meu canal do Youtube. Seria lindo se pudessem passar sempre por lá e acompanhar! 


E você já pensou em como reage em algumas situações?












30 de janeiro de 2018

O que fazer com a ansiedade?

Um amigo me mostrou ontem o quanto a minha ansiedade, às vezes, comanda as minhas ações e me faz esquecer de viver o momento: "Lu, você subiu nesse banco e, em vez de caminhar por ele, sentir a relação dele com seu corpo a cada passo, já está lá na frente pensando o que aconteceria se caísse dele. Com isso, você se trava, não caminha direito em cima do banco e ainda sustenta um medo absurdo de cair de uma altura tão pequena. E se cair, tudo bem! Sobe de novo".

Pronto. A respiração que estava quase suspensa pelo medo de me desequilibrar ali em cima se soltou do peito. Ufa! Nossa! Que verdade isso! No momento, eu não estava pensando na proposta que ele havia me feito na nossa aula de consciência corporal. Era só subir, caminhar no banco e sentir o meu corpo ali. E eu já estava lá na frente pensando nas consequências sem antes vivenciar o que havia para vivenciar. Na verdade, eu não estava ali! 

É muito doido pensar que somos muito assim algumas vezes. Eu, pelo menos, sou. Venho trabalhando minha ansiedade de viver lá na frente, que é fruto desse meu jeito tão aquariano de ser e dessa minha personalidade inquieta. Venho buscando respirar antes de agir ou reagir. Não tem sido fácil, admito. Minha mente vai e voa muito mais rápido do que as palavras que quero dizer, do que o sentimento que chega, do que o planejamento que eu tenho, do projeto que vou iniciar. E para deixar tudo ainda mais agitado, eu ainda vou prevendo ali na minha mente as possibilidades boas e ruins que podem acontecer. 

Mas quem disse que é isso que vai acontecer? E quem disse que eu tenho bola de cristal? E que disse que sou a rainha das previsões? Esse foi o papo que tive comigo mesma antes de dormir. Na verdade, precisei ser um pouco firme comigo mesma e dizer para o meu ego que ele não é o dono da verdade e que viver pode ser mais simples e menos rigoroso. E muito mais delicioso. Pensei então que vou, de fato, usar os exercícios que aprendi e que podem me ajudar nessas minhas horas de ansiedade. Quem sabe não servem para você também!?

1) Meus 10 segundos por 3 vezes - quando o meu pensamento não está no momento presente, inspiro profundamente por cinco segundos e expiro por cinco segundos por três vezes. Isso me leva a um relaxamento tão grande que o meu corpo parece voltar do futuro imediatamente. Esqueço disso no dia a dia, às vezes, mas vou me exercitar!

2) Minha escuta do corpo - com a ansiedade, o corpo parece ter por dentro aquele crepitar de uma chama de fogo, sabe? É difícil explicar a sensação, mas consegue imaginar  gravetos quando são jogados numa fogueira? É isso! Esses pequenos ruídos produzidos pelo corpo precisam ser ouvidos. E quando passo a ouvir a cada um deles e começo a perceber de quais partes do meu corpo eles surgem, as coisas vão se acalmando e vão silenciando. Já fiz isso algumas vezes e deu certo!

3) Minha boca muda - as palavras, às vezes, correm para tentar acompanhar os pensamentos. E elas vão surgindo como uma queda d'água. Opa! É aí o momento de fechar os lábios e sentir que eles estão encostados um no outro. Pausar, respirar, pausar. Ouvir o que sugere minha mente e escolher as palavras. Falar pausadamente, dizer cada palavra. Fazer isso me deixa numa sensação de câmera lenta, sabe? E isso me deixa tão leve. É uma delícia! rs

Em resumo, como disse o meu amigo, eu preciso me esperar, me ouvir, me deixar levar pelo momento. É como dizer pra mim mesma: Aqui e agora, só falta você! ;)

E para musicar todo esse pensamento, uma música da Rita Lee que eu adoro! Essa também foi para o meu projeto "Toda Metade" no meu canal do Youtube. Quem gostar e quiser se inscrever, será maravilhoso! 

Que possamos nos ouvir sempre!




Em que tempo você vive agora?

Às vezes é difícil compreender o tempo das coisas. E conseguimos entender que uma nova escolha foi realmente boa quando somos capazes de pa...