12 de julho de 2019

Aprender a dividir o tempo


Às vezes, a vida entra numa batida desenfreada e a gente já não consegue manter uma regularidade em algumas coisas. Outras ficam à frente por motivos diversos, porque vamos acumulando essa e aquela e aquela habilidade e somando esse e aquele resultado. Mas, no fim, a gente sempre volta ao que ficou um pouco para trás, busca o reequilíbrio e tenta recolocar as coisas nos eixos.

É assim que a vida me deixa longe, algumas vezes, daqui. Talvez como todos nós em algum momento, né? O tempo vai se sobrepondo e vamos abraçando o mundo com os braços de uma vez. E vamos buscando novos caminhos, sonhando mais, desejando mais, iniciando outras estradas. E até parece desleixo, ou falta de atenção, ou falta de cuidado. Mas não é. Não é mesmo. É falta de aprender a dividir bem o tempo.

Muitas das coisas que ficam de lado poderiam ser encaixadas no tempo que temos apenas pelo simples fato de organizarmos o que precisamos fazer. Parar, colocar no papel os compromissos e estabelecer como resolvê-los dentro de um determinado período. E isso é possível.

Não é fácil, na maioria das vezes. São tantas coisas para desviar do caminho, atrair a nossa atenção, prendê-la por minutos em algo aleatório que nem fazia parte do dia. Compromissos assumidos, novos desafios, a velocidade do tempo. Aquela correria que, muitas vezes, seguimos e nem precisávamos deixar que ela nos levasse assim.

Mas o que fazer com tudo isso? Com tantos e tantos? Como buscar o reequilíbrio e ajustar tudo dentro do nosso possível? Essas são perguntas que minha mente, muitas vezes, se faz. E aí vem o tempo corrido do que já se sobrepõe ao minuto que passou e preciso seguir com o que está à frente.

Não sei quem anda assim. Não sei quem se sente assim. Provavelmente a organização de alguns possa contribuir com a falta de organização e a vida corrida de outros. Quem quiser compartilhar ideias sobre isso, seja bem-vindx! 

Saudade daqui sempre ;) 

1 de maio de 2019

E o seu segundo passo?

Bom, já demos o primeiro passo. Conseguimos identificar o que nos toca profundamente e nos dá a sensação de plenitude, de que estamos inteiros naquele movimento. Tudo bem. Podemos respirar aliviados por alguns minutos e aí vem a pergunta: o que fazer com isso agora?

Não é fácil encontrar o caminho e nem pensar em possíveis mudanças. Até porque, muitas vezes, a nossa imaginação nos leva para lugares em que o risco nos apavora ou para lugares em que o glamour nos cega. E talvez o mais simples seja continuar a pensar no presente, apesar de ser algo que deve ter consequências no futuro.

Um bom começo pode ser colocar no papel as possibilidades que temos para o nosso segundo passo. Posso até contar uma experiência. Após descobrir que a música é o que faz meu coração palpitar verdadeiramente feliz, comecei a buscar aulas de canto, escolas de música, coletivos musicais para me aproximar do meu desejo maior. E fiz as minhas escolhas e as minhas primeiras experiências vieram de várias formas e maneiras. A cada novo passo, descubro que esse movimento foi muito importante.

Então que tal refletir sobre como iniciar o passo em direção ao que se quer? É o passo do presente, que pode até provocar aquela ansiedade de não saber no que vai dar, mas vai começar a abrir as portas que queremos descobrir sobre nossos sonhos e desejos.

E, muitas vezes, podemos até entender que não era exatamente aquilo que nos faz vibrar, mas algo que estava nesse percurso e que precisamos conhecer um pouco mais. No entanto, para compreender isso, é importante que possamos experimentar, arriscar, criar a coragem que parece sumir de vez em quando. Deixar de lado a preguiça, a incerteza, o medo e até o pavor. Acreditar que é possível desenhar a trajetória que queremos.

Para isso, vamos imaginar que cada dia pode ser um descoberta, uma nova faceta da nossa vontade, um novo impulso para ver quem, de fato, somos. Principalmente porque é sobre nós mesmos. Muitos desafios virão, muitas coisas novas nos amedrontarão, muitas decepções provavelmente nos afetarão. Mas cada conquista será a conquista. Cada sorriso será o sorriso. Cada superação será a superação. 

Porque tudo será por nós e para nós. E, no fim, será para todos os outros também. Isso porque se estamos bem, podemos fazer ainda bem mais pelo outro. Se estamos felizes, queremos compartilhar com o outro. Se o nosso equilíbrio está legal, podemos amparar o outro. As coisas boas nos levam cada vez mais ao bem que se quer e que se pode fazer e ter.

E diante de tudo isso, continuamos com a nossa busca de um dia de cada vez. O hoje para construir o amanhã, lembra?

E aí? E o seu segundo passo? Já seria possível começar a pensar nele?

23 de abril de 2019

Quem já deu o primeiro passo?

Nascemos simples e, com o passar do tempo, vamos ocupando nosso ser e preenchendo quem somos com as experiências, com as conquistas, com as perdas, com o que passa por nós e também com o que não passa. São tantas e tantos. 

O imponderável é um fator decisivo. Principalmente porque, em algum momento, queremos ter algum controle ou queremos tentar minimamente nos preparar para o que está por vir. Mas independentemente do que chegar, uma das coisas que pode ser considerada muito importantes na vida é querer algo que nos faça sentir vontade de viver, que aumente a nossa vontade de ser, que nos impulsione a querer construir algo. Não apenas sentir que a vida vai passando, sabe? Mas sentir que tomamos as rédeas mesmo da vida, fazendo escolhas, arriscando por aquilo acelera os corações.

Quem sabe um bom começo para isso pode ser identificar algo que possa suprir as nossas necessidades básicas, algo que nos faça sorrir, que nos faça sentir acolhidos. Algo com o qual podemos nos sentir à vontade para fazer escolhas. Algo que sempre pensamos mas, por algum motivo, deixamos de lado.

Às vezes, pode ser algo simples que vai reverberar de uma forma tão intensa, tão motivante, tão contagiante e nos fazer bem. Às vezes, algo que estava em nosso subconsciente tão vivo, tão cheio de desejos, com tantos sonhos. E tomar uma decisão na direção disso tudo vai fazer uma grande diferença em nós. 

Para quem ainda não conseguiu ao certo identificar o que seria esse desejo, essa vontade, essa necessidade que nos encherá de vida, o primeiro passo é pensar sobre isso. Avaliar o que nos toca de verdade. Mas é um pensar sem cobranças, sem pressa, sem repressão e, quem sabe, sem tanta consciência. É pensar e sentir. Porque é algo que é fluido, que já existe, que já faz parte de nós.

E aí podemos ver e entender que isso pode servir de base para nos fazer sorrir, nos ajudar a chegar ao que podemos escolher para fortalecer o que temos de mais valioso e também de mais bonito: o nosso verdadeiro desejo. E é que nos fará feliz.

Que tal, então, pensarmos no agora, no hoje, no presente para que possamos desejar e construir o amanhã?

Quem já pensou nisso? Quem já descobriu isso? Quem já deu o primeiro passo? 

14 de abril de 2019

A criança magoada

É, não está tudo bem. Chegou o dia em que vamos nos sentir como a criança magoada que ficou irritada por não ser especial, por não ter toda atenção desejada, por não ter sido colocada em primeiro plano.

Em alguns momentos da vida, jogamos no colo do outro essa responsabilidade de nos fazer felizes. Da criança melindrada, podemos virar o adulto que cresceu passando pela mágoa, sem ninguém para dizer que resolver e dissolver tudo isso é uma responsabilidade nossa. E, nessas condições, nos tornamos o adulto que temos condições de ser. 

O melhor é saber que isso não precisa ser definitivo em nossas vidas. E que podemos fazer diferente a partir de agora com cuidado necessário conosco. 

E quando falamos sobre isso, falamos e chamamos atenção para o que ocorreu com aquela criança, particularmente com a nossa criança. Assim nos tornamos conscientes e podemos nos observar mais. 

Veremos aquela criança que ainda se melindra e tem dificuldades de aceitar e de se aceitar em determinadas situações. Aquela criança que recebeu o que pode ter sido insuficiente de um outro que também tinha as suas dores e talvez também não sabia lidar com elas. 

A partir do momento em que entendemos que o outro, seja lá quem for, a nossa mãe, o pai, a avó, quem quer que seja na nossa infância, fez o que podia ao nos encaminhar e acompanhar ao crescer, as coisas podem ser amenizadas. É entender que foi com o amor que o outro tinha, com o amor que podia, com o amor que sabia dar. Até com o que não tinha, muitas vezes. Doação, esforço, tentativas. 

Não sabemos nada do vivência do outro e, às vezes, nem sabemos ao certo sobre a nossa própria vida. A criança magoada pode ter vindo de mágoas não dissolvidas por muitas vivências anteriores e até de tempos de insensibilidade e de falta de maturidade. 

Tantas possibilidades de ter mais de um talvez em nossas vidas. São muitas. E não saberemos o que teria acontecido se algo fosse diferente lá atrás. Mas é possível mudar agora.

Ou quando decidirmos que chegou a hora da mudança e de olharmos de verdade para o que precisamos mudar. 

A partir daí, é importante dar atenção e ter cuidado com cada evento, com cada ação, com cada reação, com cada escolha. Porque são baseadas nas escolhas ansiosas ou nas escolhas refletidas que as decisões nos chegam.

Desacelerar, respirar, observar quem está respondendo no momento. A criança magoada, ríspida, egoica, com o orgulho apoiado no medo. Ou o adulto inseguro que se apoia na criança para não reconhecer que tem medo. A base do medo se sustenta nas duas condições. Basta decidir como passar por cada um deles.

Novas escolhas fazem propostas de mudanças de padrão, de novas sensações, de dores ainda desconhecidas. Mas dores são inevitáveis. E, mesmo que a vida se repita, um evento nunca será igual ao outro. Mesmo com as mesmas pessoas. Porque o tempo não se repete e todos vivem momentos distintos em diferentes momentos e sentimos de outra forma também. 

Um caminho é experimentar o que vier e decidir como lidar com cada dor que chegar. No momento exato dela. Entender como ela nos chega e o que podemos fazer com aquelas sensações todas que surgirem naquele momento. No presente. Estar presente e consciente pode ser de grande ajuda. 

Que possamos nos ajudar. Que possamos nos acolher. Que possamos entender que somos o que podemos no momento. E que, se estiver muito difícil e muito pesado, não precisamos ter medo de pedir ajuda, pedir ajuda mais de uma vez, pedir ajuda sempre. Quando tudo apertar. Quantas vezes forem necessárias.



28 de março de 2019

O quanto vale a dureza?


Não sei quem já observou ou conseguiu lidar com a dureza que surge em alguns momentos da vida. Aquele escudo que, muitas vezes, construímos ao longo do tempo e que é um caminho que acreditamos que serve para nos defender. Também não sei se todo mundo pode reconhecê-la em si. Às vezes, insistimos que não a guardamos para as situações que surgem. 

Quem a tem talvez consiga compartilhar o quanto que ela é presente em situações-limite. É uma quase certeza de que esmorecer, desarmar, soltar pode levar a um caos que a mente insiste em dizer que não será possível reorganizar. Sabem como é?

Bom é quando nos chegam aquelas ideias para muitas pessoas consideradas malucas. “Nao! Preciso ser forte para sustentar o outro”. “Nao, preciso não amolecer para servir de apoio”. “Não, preciso segurar o que for necessário para dar o máximo que tenho”. “Não, não é hora de me abalar para que o outro não perceba a minha fragilidade”. Sempre vem com o não, não e não. Podem ser ideias como essas em vários formatos e com vários tipos de justificativas.

O pensamento insiste em dizer que a dureza é necessária. E aí? Quem poderia nos dizer se, com a dureza, podemos levar leveza ao outro? Quem pode nos ajudar a decifrar se construir muros quase impenetráveis nos permitirá mostrar o que vai além deles. Do que nos vale a rigidez avaliada como suficiente em momentos em que a emoção é o maior peso de uma balança? Quem vai nos garantir que isso fará realmente a diferença que gostaríamos?

Pensar na dureza pode nos trazer previsões a serem cumpridas quase que milimetricamente dentro de contextos estabelecidos. Rigidez pode nos deixar dentro de uma redoma que nos parece impenetrável até mesmo para boa experiência. O afastamento do sentir pode nos tornar insensíveis muitas vezes pela distância emocional que nós escolhemos por impor essa opção em determinada situação. Já pensamos sobre isso?

Na grande maioria das vezes, podemos acreditar que o olhar firme e forte que pode servir como escudo aos olhos de quem precisa de um afago é o que se espera de melhor. Certamente conhecemos aquela postura quase inflexível para mostrar sustentação ao outro, não é? Quase sem movimentos, sem respiração. Será que conseguimos visualizar isso?

A questão é que a rigidez pode ser responsável por matar bons sentimentos. Pode ser um perigo à nossa leveza, paz, empatia, carinho com o outro. Pode ser. Há quem diga que a tem na medida exata. Tudo bem. Tudo nos é permitido. Mas nem tudo nos convém. Que possamos compreender e avaliar o que nos faz melhores. O que realmente nos convém. E que seja com o que nos faz bem. Com dureza ou não.



19 de março de 2019

Sinto muito

Nesses últimos tempos, tenho pensado por qual motivo nós vemos e não enxergamos, ouvimos e não escutamos, presenciamos e não sentimos. Às vezes, parece que vivemos a esmo, quase como zumbis, passando apenas por um lado da calçada sem ao menor olhar para o lado oposto para saber o que, de fato, há por lá. Queremos andar. Apenas andar. Nem que seja para trás. Um quase vagar. Vamos duros. Inviáveis. Imutáveis. Sem maleabilidade nenhuma.

E aí eu fico me perguntando em que momento nós viramos pau, pedra, gelo, concreto? Nesse que parece um fim de caminho. Em que momento o fio se rompeu e ficamos pendurados nesse abismo que nos traz a sensação de que vamos sucumbir, que não há salvação e que quem andar pelo outro lado da calçada merece cair antes?

E me indago como chegamos ao ponto de tanta separação, tudo tão partido, repartido, num exagero unilateral. Tudo egoisticamente tão solitário. Tão nu. Tão cru. Por escolha, o que é pior pra nós. 

Tudo sem empatia, sem compaixão, sem benevolência, sem amor. E aí conseguimos ver que é muito isso. Sem amor por nós mesmos. Sem amor pelos nossos. Sem amor pelos deles.  Sem amor pelo outro. Sem amor. Sem amor.

Será que nós nos perdemos num mar de frustração, presunção, excessos, crueldade, exclusivismo? E, se for, nem sei onde isso vai nos levar. A barbárie escancarada e, algumas vezes, comemorada nos sentidos opostos nos esclarece que algo está muito errado. Em nós. E não vemos. E não ouvimos. E não sentimos.

Não sentimos. Não sentimos. Não sentimos mais. E eu sinto muito. Muito. Muito.



** Importante dizer que esses pensamentos não querem generalizar e nem apontar para cá, para esse ou aquele. Foi só um sentimento que veio num momento de reflexão diante de tantas coisas que passamos hoje em dia por aqui e também algumas vezes pela falta de indignação em determinadas situações da vida. Sei que cada um pensa de uma forma e meu respeito a cada um de vocês, viu! Sintam-se todos abraçados.

11 de março de 2019

Somos o que somos

É sobre não desistir. Insistir mesmo. Fazer e refazer. Muitas vezes. Independentemente do que pensam, acham ou esperam. Fazer pelo prazer de realizar o que se quer, o que se sonhou, o que se projetou. O que faz a vida mais feliz e mais plena.

Muitas vezes virão os olhares de sorriso. Daqueles que dizem “vá em frente”, “estou com você”, “tão bom ver você realizar”. Algumas vezes, a certeza de que o caminho parece se somar à empolgacão de ser o que se é já faz o dia ficar mais bonito. É o sinal de que estamos no fluxo, no que escolhemos, no que queremos. E isso nos basta para prosseguir. Quando a gente consegue encontrar a estrada do que somos, do tanto que podemos e do que será possível superar, a vida ganha novo sentido. E vamos cada vez mais além de nós. 

Mas, muitas vezes, virão os olhares de reprovação, sustentados pela inveja às vezes nem sentida pelo outro. Outras vezes, o desânimo vai se somar a uma fala qualquer de quem nunca teve coragem de ser o que é. Por vezes, vai ser só uma sensação de cansaço e de que nada caminha. Por vezes, vai ser a voz de quem realmente importa.

Nesse momento, tudo vai parecer desmoronar. Tudo vai parecer não ter rumo. Mas vamos então nos aproximar desse sentimento e observá-lo bem. Pode ser aquele medo do fracasso, da expectativa do outro e não a nossa, da ainda distante meta, do olhar paralisado por projeções que não condizem com a realidade. Pode ser só o nosso temor da frustração.

O que é, de certa forma, normal. Afinal, nascemos e crescemos para buscar uma perfeição idealizada, trancados em moldes que nos dizem o que é o sucesso. O sucesso do outro, o caminho do outro, o encontro do outro consigo. Olhamos o outro e traçamos o que talvez podemos ter. Muitas vezes, aprendemos que precisamos desse ou daquele caminho. E nunca que devemos construir o nosso.

Não olhamos sempre o que somos, nossos potenciais, nossas possibilidades. Deixamos de observar o que é nosso. Somos comparados e nos comparamos com o que nem sempre pode ser comparado. Acreditamos muitas vezes que vivemos no reflexo do outro.

E geralmente, em algum momento da vida, pode ser assim com todo mundo ou com meio mundo, vai saber.  Podemos até começar a vida assim. Até o momento em que aprendemos a nos olhar. Isso quando, de fato, aprendemos a nos olhar mesmo. Muitas vezes, vemos mas não nos enxergamos. Ou nos escondemos de nós.

É difícil nos depararmos com o que temos de sombra, com o que é difícil de compreender. As coisas boas costumam ser mais claras porque permitimos que elas se mostrem. Mas e o que não é tão bom? Fica lá no fundo, no fundo mesmo.

Entrar em contato com o que temos de sombrio, com as nossas imperfeições, sem deixá-las guardadas debaixo do tapete, pode ser um bom início para que possamos olhar para o espelho e reencontrar quem somos. E, assim, pensar nas mudanças possíveis, desejáveis, necessárias. As mudanças para que possamos ser o que somos. Simplesmente nós. Um brinde ao encontro e ao reencontro.


1 de outubro de 2018

Outra metade

As pessoas não vão pensar como a gente sempre. Não terão os mesmos desejos. Não vão escolher os mesmos caminhos. Seguirão na direção contrária. Muitas vezes nos deixarão chocados. Quando esse outro não é aquele que nos toca o coração e preenche os espaços que lhe oferecemos na vida, observar e ver que fazem escolhas tão distintas nos parece aceitável. Pode até ser, de certa forma, um pouco mais simples entender que a opção do outro cabe apenas a ele, apesar dos pesares. 

Mas quando vem daquele ser que temos a certeza de que a falta do seu apreço nos fará pagar um alto preço no desamor, o assunto é diferente. O mundo quase acaba, a casa praticamente desaba, perdemos até a respiração. O ar nos falta e a sensação é de que o chão se abriu e vamos para um abismo de solidão e não vamos mais nos recuperar. E aí pensamos: como o outro pode fazer escolhas tão distintas? Não éramos almas gêmeas, metades, partes iguais? Dramáticos, sim, com a nossa razão e com a certeza da perda. Doloridos pela ausência e inconformados com a mudança.

Parecíamos ser os mais completos do mundo e o todo mais possível naquele instante da vida em que as escollhas convergiam, em que as escolhas se misturavam e se completavam, em que as escolhas pareciam até simultâneas. Mas eram escolhas. E tudo bem. Porque na vida fazemos escolhas todo tempo. Escolhemos ao longo da vida tudo aquilo o que nosso corpo não faz maquinalmente e tudo aquilo que o nosso desejo nos mostra a cada impulso e descoberta. E ainda assim decidimos pela manutenção do que não temos escolhas porque fazemos boas escolhas para que as coisas permaneçam no seu caminhar. 

E ao fim do sentir do outro, a dor virá, a decepção virá, quem sabe o choro também. Tudo bem também. As coisas vão se renovar e, numa próxima esquina e num pequeno espaço de tempo talvez, novas escolhas vão chegar. Com novas propostas, novas experiências, novas descobertas. E aí veremos que aquela nossa metade no outro, que achávamos única e se foi, mudou de ângulo, se redescobriu numa outra e se reequilibrou. Um novo reencontro. Uma nova caminhada. Uma nova metade. Um novo encaixe. Com quem vamos ser felizes novamente. 


16 de setembro de 2018

Finitos e infinitos

Somos cíclicos e finitos. Iniciamos e terminamos tudo na nossa vida. Início, meio e fim são itens comuns para o nosso dia a dia. Seja no que nos é pessoal, no trabalho, até o amor que, muitas vezes, é infinito enquanto dure. Claro que com licença às crenças espirituais de vida pós-morte, estamos falando de algo mais pragmático. Talvez projetos, projeções, apostas, desejos, relações e podemos incluir o que é físico. Somos cercados pela finitude do todo. Nosso corpo e a nossa mente estão acostumados a finalizar tarefas, desejar pelo fim, buscar a conclusão.

E esse pensamento pode nos levar às questões das redes sociais atualmente. São praticamente infinitas com atualizações e mais atualizações, mesmo que esse ou aquele assunto volte à toa, elas continuam a atualizar e trazer mais informações, atualizar e mais informações, atualizar, atualizar, atualizar. Muitas e mais vezes. Infinitamente.

Passamos os dedos de baixo para cima nos nossos smartphones numa busca pelo o que está por vir. Qual a próxima novidade? Qual a próxima foto, seja lá de quem ou do que for. Qual a próxima, a próxima, a próxima? 

Essa sensação de infinito contrasta exatamente com a nossa essência finita. E aí, algumas vezes, tudo isso nos funde a mente, nos deixa exaustos, nos deixa ansiosos e conectados com um formato que não nos individualiza. Mas não nos deixa com a impressão de estar ao relento e, sim, imersos ao todo. E aí muitas vezes sentimos diversos ir e vir de sensações: acelerar, anestesiar, prender, desfocar, despertar, impulsionar, subir novas montanhas. 

Tudo isso pode estar ligado a uma ansiedade sem controle. E aí isso pode, de verdade, nos afetar e nos fazer mal. O quanto só cada um de nós pode saber e sentir. Vai depender do que temos de limite, do quanto o ilimitado nos afeta, do quanto conseguimos medir e compreender o que não tem fim. 

E quem já se sentiu assim?




17 de agosto de 2018

E a beleza, de onde vem?

Beleza. Tanta beleza pelo mundo. Já paramos para pensar sobre como ela toca cada um nós?  Talvez seja algo tão subjetivo e apenas pensado e definido pela retina de quem vê. Beleza pode ser a escolha de um gosto individual que pode até passar por uma tentativa de ser medida por um grupo que compartilha de opiniões que caminham para a mesma direção. Mas não há como ser uma definitiva verdade para todos. Não há. Vemos isso se observarmos por todos lados as tantas possibilidades. Mesmo a beleza denominada mais exuberante do mundo pode não ser tanto assim para alguém. Mesmo aquela apontada como universal pode não ser a mais das mais para todos. 

Talvez o que nos ajudaria a desenhar um parâmetro para a definição do que é beleza pra cada um de nós seria voltar o nosso olhar para o meio que nos influencia, ao que somos submetidos, onde flutuamos e que tipo de referências temos. Ele, sim, pode não só nos influenciar mas nos empurrar a uma máxima eleita pela massa. E, desta forma, nos vem aquela sensação de que pertencemos a um grupo que fez a escolha da beleza. 

Não sei se todo mundo pensa ou percebe assim. Mas nascemos uma página em branco e, com o tempo, os conceitos vão se formando.  Na grande maioria das vezes, baseados em parâmetros pessoais oriundos de vivências, comparações, opiniões, perspectivas e, muitas vezes, expectativas. Jogamos, às vezes, no outro as nossas aspirações e encontramos nele o mais belo, o mais bonito, o mais desejado. Por vezes, o que está do lado de fora dele.

E aí nos perguntamos. E a beleza, de onde vem? Vem das métricas idênticas dos dois lados de um rosto? Vem do corpo estampado nas revistas ou na tv? Vem dos moldes ou modelos definidos por cada época social, impulsionados pelo o que aquela determinada cultura determina para determinado período? É tanta gente pra determinar tantas coisas que, na velocidade do nosso tempo, aceitamos sugestões impostas e imposições sugeridas.

E esquecemos mesmo de observar a beleza que mora logo ali dentro de um coração amoroso, paciente, benevolente, gentil. Esquecemos que o corpo envelhece, perece, vira pó. E que ele passa, chega ao fim. O que não passa e não esquecemos é o que cada corpo carrega bem ali dentro, ali no fundo. Beleza interna e, muitas vezes, transparente, explícita, infinita.

2 de agosto de 2018

Viver bem

Não vamos dar ao outro o poder de nos tirar do sério. É isso muitas vezes que acontece no nosso dia a dia. Nós nos deixamos afetar pela ação, agressão, má vontade, falta de educação, falta de conhecimento do outro. Sabe aquela história que nossos pais diziam quando éramos crianças? Se o amiguinho chamou você de bobo e você não é bobo, então não liga pra isso. Acho que é muito por aí o caminho.

Estou com essa ideia na cabeça desde o mês passado e não conseguia parar para escrever. Resolvi isso no metrô pelo celular mesmo. As ideias foram vindo e memórias recentes se acendiam na mente. Porque é assim, a gente passa por isso, respira, reage ou não reage e depois reflete. Por conta do meu constante exercício e muito esforço diário de tentar olhar para o outro que ofende com olhos de benevolência, passei num teste recentemente quando uma pessoa não só foi debochada mas grosseira no telefone. E grosseria e deboche são duas coisas, pra mim, difíceis de lidar.

Mas consegui pensar num milésimo de segundo que estava tudo bem, que a pessoa do outro lado da linha deveria estar infeliz, deveria estar insatisfeita, deveria ter sido rejeitada de alguma forma, deveria estar chateada para ser desagradável diante de uma simples consulta que lhe foi feita e de uma resposta que deveria ser também simples. 

Tudo bem. Não liguei. Não reagi com a mesma energia. Agradeci. Desliguei. Deixei aquele calor que sobe pelo rosto no momento da ofensa passar. E respirei com todo alívio do mundo por não me deixar envolver por aquela energia ruim da pessoa naquele momento. Sorri. Ouvi um pouco de música, só um pouquinho por conta do trabalho, cantarolei, cantei mais um pouco, sorri de novo e tudo voltou ao normal.

Nem sempre foi assim. Tinha uma resposta na ponta da língua pra rebater a qualquer um, mesmo que não fizesse sentido algum. Mas a questão é que eu não podia perder aquela batalha. Afinal na batalha de ser desagradável, eu queria ganhar e deixar o outro com o desconforto que me provocara. Nossa! Pensar que isso é uma batalha é realmente pesado. Que peso é carregar isso. Descobri isso.

Não foi fácil aprender que isso era desnecessário. Que isso me exigia muito e me deixava exausta. Recebi a sugestão de deixar passar. De início, me ofendia ainda profundamente mesmo sem reagir. Ali dentro de mim, dava uns gritos. Reclamava comigo, me achava injustiçada. Não digeria bem. 

E aí recebi nossa sugestão. Receba, entenda que isso existe, que é o que a pessoa pode naquele momento e deixe  passar o que não é seu, a energia que não foi criada por você e com a qual não se sintoniza no momento. Ainda bem que ouvi, assimilei e estou conseguindo lidar com esse meu tipo de impulso reativo. Pensei que seria uma boa compartilhar isso. Claro que cada um pensa de uma forma e tem um temperamento. A ideia foi compartilhar mesmo.

Até porque todos nós temos aquele momento que o caldo quase entorna, que a energia quase explode. E tem dias que explode mesmo. Tudo dependerá do limite daquele dia, do ânimo daquele dia, dos aborrecimentos que absorvemos ou que deixamos passar. Acredito que só conseguimos lidar com o outro quando fazemos o esforço de lidar com a gente mesmo. Com as nossas frustrações, aborrecimentos, medos, decepções. Porque quando estamos no equilíbrio temos mais condições de dizer não ao desequilíbrio que nos sugerem. É fácil? Não mesmo! Mas é um caminho. O meu é esse agora. É a minha opção de viver bem e melhor comigo atualmente. Para viver bem com o mundo. 

Desculpem demorar tanto tempo para voltar aqui! A correria tem sido grande!

7 de julho de 2018

Ser gentil

Ser gentil não é ser subserviente ou bonzinho. Nem trouxa. Ser gentil é dividir com o outro o sorriso, a atenção, o bom humor. E tentar contaminá-lo com o que há de bom na vida. Ser gentil não é servir, é trocar, dar exemplo, compartilhar. É ser mais, é fazer o bem, é compreender que o outro é diferente, é testar seus próprios limites. E aprender a relevar o que é, muitas vezes, tão pouco diante das dores e das maldades do mundo. Essas coisas que, por sinal, estão nos deixando cada vez mais doentes, mais tristes, mais infelizes. Deixar a dor, a maldade, o egoísmo, o pouco caso nos afetar faz com que tudo isso se espalhe à nossa volta. 

A vida é feita de escolhas. Sim, ninguém é todo tempo feliz ou triste. Sim, ninguém consegue anular seus problemas num piscar de olhos. Sim, vamos chorar, vamos espernear, vamos nos frustar e vamos sofrer. Ninguém vai dizer que a vida será sempre uma lindeza e nada vai oscilar ou dar errado. Quem disser isso não deve saber o que é viver neste mundo louco. 

Não é essa a questão. A questão é o que vamos fazer com isso. Vamos nos afundar na tristeza, na depressão, no aborrecimento, no deixar de ser ou fazer do outro? Vamos abrir mão de tentar algo, reagir, reformular, retomar o caminho? Porque alguém não foi legal ou não nos apoiou ou não acreditou em nosso potencial ou não nos amou como gostaríamos? Vamos desperdiçar o momento, o passo à frente, a vida?

Não. Até podemos parar no caminho e entregar os pontos. Certamente em algum momento já fizemos isso. Ou vamos fazer. E se pararmos para pensar e lembrar desse exato momento em que nos abandonamos, vamos observar o tempo que perdemos dando atenção demasiadamente excessiva ao que achávamos ser o melhor do mundo no momento. E muitas vezes, vamos ver que esse melhor do momento vai passar ou vai ser superado ou vai se renovar.

Mas aí pode ser o ponto. É aí que podemos passar a fazer e escolher o que realmente importa. Só reclamar de nada vai adiantar. É só olhar para trás e relembrar, puxar na memória mais uma vez. Nada melhor do que as experiências para nos ajudar na direção a tomar. O problema é que esquecemos e repetimos, repetimos e repetimos um padrão. E reclamamos mais ainda. Ser gentil é antes de tudo ser gentil com a gente mesmo. 

14 de junho de 2018

Mau humor também passa

Nosso mau humor não tem o direito de interferir no dia do outro, nem no humor do outro, nem na vida do outro. Muitas vezes estamos em momentos difíceis, conturbados, inesperados, que nos geram ansiedade, irritação, impaciência. Quem nunca passou por isso? Quem nunca se viu numa situação de não querer se comunicar com o mundo, com o outro, nem com o vento, nem com qualquer coisa que seja? A vida nos leva a diversos momentos assim e ainda bem que são passageiros. Uns demoram mais do que os outros. Mas passam.

Tudo bem. Sabemos que isso não será para sempre assim. Então é importante pensar em como evitar que isso contamine o nosso ambiente. Porque quem acha que não contamina está completamente errado. Uma respiração profunda soltando o ar como se quisesse soltar tudo o que existe no universo e praticamente para declarar a indisposição já é um sinal. É um bufar, reclamar, jogar o ar para fora. Ou uma resposta atravessada, com aquela cara blasé de quem não queria responder ou nem estar ali. Aquela virada de olhos que só nós sabemos dar em momentos ruins, que leva junto a sobrancelha. Aquela expressão de quem não quer saber de nada mais do mundo além dos seus próprios problemas.

Sim. Isso existe. Somos muito assim. Muitas vezes, inclusive. Temos problemas e achamos que eles são os maiores do universo. Muitas vezes são porque são nossos e não temos a menor habilidade de lidar com ele. E aí engasgamos com isso, não sabemos como dissolver aquela sensação que fica no peito como se embolasse o mundo numa mistura de tudo o que nos faz mal. 

De fato o problema é nosso e não do outro. Então não nos cabe jogar no colo do outro toda essa soma de coisas estranhas, esquisitas, descompassadas. Não temos o direito de desestabilizar o outro que, na maioria das vezes, não participou do nosso problema. Não é justo. Mesmo quem participou para nos deixar sem rumo não deve levar toda a culpa. Porque se fomos atingidos é porque nos deixamos atingir e estávamos suscetíveis a isso. A culpa pode até ser dividida. Mas e quem não tem culpa?

E aí como podemos pensar no que é justo se a vida não está sendo justa conosco! Será que vamos nos preocupar com o outro? Vamos sim. Principalmente com quem não tem nada a ver com o que nos tira do sério. E quem disse que não é justo o que passamos? Vamos deixar nosso ego e nosso egoismo de lado para adotar a leveza e a humildade. E entender que somos imperfeitos, enfrentamos dificuldades e vivemos com o outro e precisamos do outro. 

Do abraço, do olhar carinhoso, do colo, da atenção, de dividir o que é possível.  Da compreensão, do ouvido, da opinião do outro. De tantas e tantas coisas. Vivemos em comunidade e precisamos lembrar a importância de querer para o outro o que queremos para nós. E, assim, viver bem e reencontrar a nossa paz. 



5 de junho de 2018

Comece!

Vamos começar. Não importa o que dizem. Não importam as possibilidades. Não importam as dificuldades. Não importa saber com antecedência se vai dar certo ou não. Dar o pontapé inicial em algo é fundamental para saber se existe uma chance do universo conspirar por nós. Algumas vezes não confiamos muito no que pode acontecer e deixamos passar oportunidades que podem se tornar momentos tão felizes e surpreendentes. Outras vezes não acreditamos no nosso potencial pelo simples fato de que não nos experimentamos nessa ou naquela situação. E, na tentativa, descobrimos um mundo de caminhos novos e possíveis.

Bom, vamos começar. O início, muitas vezes, pode nos parecer cruel. Como podemos investir no que não sabemos se dará um retorno positivo? Tudo bem. Vamos, então, refletir se queremos de verdade dar esse passo. Queremos mesmo? É algo que nos toca profundamente no campo dos desejos? É aquilo em que nos vemos com um sorriso largo no rosto? Sim! Mas será que vai dar certo?

Bom, vamos lá. Ainda não temos uma bola de cristal para saber com antecedência as vitórias e as derrotas. Mas provavelmente conhecemos muito bem a frustração de não ter tentado nunca. Podemos até não sentir logo de início essa frustração. Talvez não seja algo que vai parecer tão nítido logo. Mas, certamente, a vida vai nos cobrar mais adiante. Lá no fundinho da nossa alma, vamos ter sempre aquela dúvida do que poderia ter sido se, se, se, infinitamente se.

E esse é um momento tão duro pra nós. Principalmente porque, às vezes, o tempo passou e não temos mais como voltar atrás. Há coisas atemporais. Mas também há coisas que o determinado tempo nos dá a chance de escolher agora ou agora. O que podemos fazer então? 

Ter coragem, arriscar, acreditar que, se não for para acontecer, o universo vai dar um jeito de mudar a nossa rota. Mas, se for parte da nossa história, todas as portas vão se abrir. Mesmo que pareça a maior loucura do mundo e a coisa mais impossível de todos os tempos. Então vamos começar agora, já, nesse momento, nesse minuto, todo o tempo!

Parece doido dizer isso, mas todo meu movimento em direção à música me abre uma porta ou uma janela!

E o que você ainda não teve coragem de começar?

27 de maio de 2018

Pensamento, extensão de nós

O nosso pensamento é uma força criadora que nos move, nos impulsiona, nos orienta. E, por meio dele, agimos, escolhemos, acreditamos, vivemos tudo, tudo. E também cabe a nós decidir o padrão de cada momento das nossas vidas. Podemos permanecer com a leveza da vida, mantendo pensamentos bons, leves e deixando de lado o que é pesado, duro e excessivo. Ou podemos optar pela dureza, pela tristeza, pela raiva, pelo descontrole quando escolhemos  continuar com a energia do que nos afeta e nos tira do nosso rumo.

Muitas vezes achamos que eles nos comandam incondicionalmente e todo o tempo e sem o direcionamento do nosso desejo. Muitas vezes achamos que são completamente independentes. Muitas vezes são aparentemente assim. E são mesmo. Mas, no fundo, dependem da nossa vontade, da nossa opção em cada passo, da nossa escolha para a vida. Às vezes, eles podem durar poucos segundos para uma só ação. Outras vezes podem durar um tempo bem maior. E, às vezes, eles ficam só ali no campo da imaginação.

O que ele costuma nos dizer é que somos livres para escolher. Nem sempre isso parece tão nítido e parece até que somos movidos por uma força ainda maior. Emoções fazem isso. E são como pensamentos acesos e banhados na luz que direciona a sua intenção. Sai como um raio algumas vezes e é mais rápido do um piscar de olhos. Mas ainda assim é possível fazer a escolha cada vez que ele nos chega.

A rapidez do pensamento está ligada à nossa capacidade de raciocinar, de sugerir, de propor. Pensamos que isso pode ser quase impossível em determinada situação e isso acontece porque optamos pela impulsividade. Mas temos condições de escolher, sim. Somos capazes de recuar aquele segundo necessário à reflexão. Como é de costume nos casos em que precisamos mudar algo em nós, o exercício constante nos ajuda. Ajuda e muito!

O que talvez pode ser importante para nós é pensar que o pensar, o refletir, o analisar, o racionar, todo verbo ligado à nossa forma de pensamento pode nos levar muito além, se optarmos pelo lado positivo, pelo sorriso, pelo fluido, pelo simples, pelo doce, pelo leve, pelo bom, pelo justo. Pelo nosso bem. E o bem de todo o resto.


17 de maio de 2018

Fazer o bem

Gentileza é uma coisa que me toca da mesma forma que a falta de gentileza me tira do sério. Claro que não sou Madre Teresa de Calcutá ou Chico Xavier, isso para citar alguns. Claro que tenho meus limites, dou meus gritos, reclamo das coisas. Mas me esforço e muito para conter esses impulsos exagerados e que acho nocivos pra mim, apesar de nem sempre conseguir. 

Somos todos egoístas. Pensamos primeiro em nós, segundo em nós, terceiro em nós e vamos até o vigésimo ou mais degrau para pensar em nós. E só aí pensamos que, talvez, possamos tentar pensar no outro. Afinal o nosso bem é o nosso bem! Refletimos assim muitas vezes. Mas esquecemos o quanto é gostoso sentir o peito aquecido e o quanto nos enche de uma sensação deliciosamente boa quando ajudamos o outro, quando podemos exercer a nossa gentileza. 

Acho que ter a consciência de que prezar pela gentileza no nosso dia a dia vai nos fazer tão bem já poderá nos ajudar muito. E aí eu admito que saio um pouco do meu rumo  natural e da minha sensatez quando a falta dela é muito explícita. E isso a gente pode ver todo o tempo ao nosso redor. É só prestar atenção.

Não sei se já perceberam, mas uma delas é na escada rolante. E posso citar a do metrô para as cidades que têm esse meio de transporte  Há quem não está com pressa de manhã e fica parado do lado direito, deixando o lado esquerdo para os atrasados, pessoas com pressa ou quem não quer ficar ali e prefere andar na escada para sair dela logo. Claro que isso é uma convenção e não uma obrigação de todos decidir por estacionar do lado direito. E é assim em vários lugares do mundo. 

Mas já vi pessoas paradas do lado esquerdo e dizendo aos quatro ventos que não vão sair e que quem quiser passar, que espere. Certa vez, me arrisquei ao levar um fora quando uma moça conversava com outra falando sobre isso. Aproveitei para falar baixinho para ela que ficar à direita, como eu e outras pessoas estávamos, era um gesto de gentileza. A moça ficou constrangida e disse apenas que não tinha ninguem querendo passar e que tinha espaço do lado direito dela. Falei que minha intenção não era ofendê-la.

Minha vontade era dizer que um dia ela poderia precisar subir correndo para não perder o horário de uma entrevista de emprego, o tão esperado primeiro encontro com o gato, um almoço de negócios ou apenas a agonia de ficar ali parado. Não importa. Deixar livre o espaço para que o outro faça o que quiser do tempo dele é uma gentileza.

A gente esquece, às vezes, que pode estar na condição do outro, que podemos precisar daquilo. Mas não. Achamos que estamos sempre certos dentro da nossa arrogância e da nossa prepotência. Às vezes, nem admitimos isso, vai. E digo isso porque também acaba sendo uma arrogância minha achar que estou certa. Isso não é uma lei, a pessoa não tem que seguir o que eu penso. Realmente. E eu sei disso. Mas eu aposto nisso para me exercitar em olhar para o outro. 

Claro q pode ter um dia em que não estarei bem, meu humor será daqueles e, por algum motivo de loucura, vou querer parar do lado esquerdo. Aqueles dias em que queremos implicar com o mundo, sabe? Quem nunca teve um dia assim? Mas aí minhas consciência grita logo e me joga na cara isso. E aí aquela culpa em não pensar no coletivo bate no peito e, para que ela não fique me corroendo - porque eu tenho esse impulso de ser gentil -  eu cedo. E reflito. E relaxo. E sorrio. E vejo que é muito mais gostoso fazer o bem ao outro.

E vocês? Já se sentiram assim?

11 de maio de 2018

Aprender a esperar

Muitas vezes temos dificuldades para esperar. E não seria esperar por prazos, acordos, combinados ou algo assim. Não. Esses talvez tenhamos um pouco mais de paciência porque foram estabelecidos por todas as partes. Esperar será mesmo necessário neste caso. E, por mais que não concordemos com o tempo que isso levará, ele foi previamente marcado. Então não há jeito e vamos cumprir tudo direitinho.

O que nos tira do sério, várias vezes, são alguns segundos a serem aguardados. É muito doido pensar em segundos, mas é isso mesmo. Às vezes, não chegam a ser nem um minutinho sequer. Pode até chegar bem perto disso, mas, geralmente, é um tempo bem rápido. Mas, na verdade, não nos parece tão rápido assim. 

Vamos ver se todos nós concordamos que não seria isso mesmo! São aqueles segundos em que o vizinho do outro andar segura a porta do elevador e a gente, considerando a possibilidade de algum atraso mínimo que seja, já começa a bufar e a dar batidinhas na porta para que ele solte e entre no elevador. 

São aqueles segundos em que o carro da frente leva para sair do sinal de trânsito que ficou verde porque estava fazendo algo, ou estava pensando, ou estava distraído ou é ruim de roda mesmo. 

São aqueles segundos em que o amigo atrasou enquanto se arrumava e, prontos, temos que esperar no sofá da sala. E a diferença é tão pouca que nem percebemos e ficamos batendo o pé levemente no chão quase contando o tempo que ainda falta. E são aqueles segundos intermináveis que não contávamos.

E aí vem a pergunta: o que vai mudar profundamente na nossa vida se esperarmos esse pouquinho? Claro que o tempo é importante. Claro que temos compromissos. Claro que temos o direito de não querer esperar. E a questão aqui não são os atrasos com um tempo enorme, que acaba sendo, muitas vezes, até falta de consideração do outro.

Não é isso. Aqui o caso são os segundos que não percebemos como segundos, mas como minutos e horas. E, certamente, deixar a impaciência tomar conta do nosso ser não é o melhor caminho. Isso afeta nosso emocional, nosso humor, nossa paz. É tão pouco para importar tanto. Às vezes nos deixamos levar e somos contaminados por nosso ego que nos diz que não podemos ficar à disposição do outro.

Mas podemos, sim. Podemos ser mais compreensivos e entender que o tempo do outro não é o nosso tempo. E que o outro também tem imprevistos e erros. E tudo bem. Que aponte o dedo ao outro quem nunca errou! Vamos nos manter em paz e em tranquilidade. E vamos deixar para nos preocuparmos com o que realmente importa na nossa vida!

E você? Consegue esperar o outro numa boa?



3 de maio de 2018

Deixe ir

Deixe ir. Deixe que se vá. Ao ler assim, a gente pensa: mas o que? Tudo. Tudo o que quiser ir. Tudo o que tiver que ir. Tudo o que o universo levar. Tudo o que tiver fim. Tudo o que escapulir. Tudo o que desaparecer. Tudo o que não fizer mais parte. Tudo o que, por obra ou por arte, das nossas mãos escorrer. 

Não será fácil. Não é fácil. Não estamos prontos para partidas. Apesar de sabermos que um dia isso vai acontecer. Com tudo. E nada poderemos fazer. Em várias situações.



Gostamos da chegada. De quando chegamos num mundo novo e abrimos os olhos. De quando recebemos a chegada. De quem amamos, de quem tanto esperamos. De quem nem sabíamos que iria ir ou poderia voltar. Da linha de chegada, que corremos tanto para alcançar.

A chegada é sempre vitoriosa. Vem com o esforço, com a fé, com a alegria, com a superação, com o amor. Chegar é atingir o que pensou, sonhou, planejou. Somos assim. Milhões de planos para chegar. Queremos chegar. E estar. E viver.

Mas aí vem o dia da partida. Do até logo. Do até já. Do nunca mais. Do adeus. Somos, então, sacudidos por tudo o que não estava nos planos reais. Se na imaginação um dia veio a suposição de algo assim, ficou lá atrás. Mas realizar mesmo? Acreditar mesmo que isso poderia acontecer? Jamais.

E assim caminha a nossa vida. Não estamos preparados para isso. Para perdas da partida. Para idas. Para o embora que não queremos deixar. Apesar da vida nos mostrar que, às vezes, não temos escolhas.

E aí vem a dor, a consequência da partida. Infelizmente em nosso peito vai se abrir um vão de uma profundidade que só cada um poderá medir. Vai doer. Vai doer mais. Vai doer muito mais. Vamos chorar. Vamos chorar mais. Vamos chorar muito mais.

Pode passar um dia. Pode não passar nunca mais. Mas a partida virá. Há quem queira se preparar. Há quem não queira nem pensar. Há quem nem imagina como isso se dará.

Então vamos pensar no caminho. Nesse meio. Entre a chegada e a partida. Na construção, no percorrer, no andar. Junto de quem está ao lado. E vamos ver como valorizar de verdade isso. Como sentir, como compartilhar, como dar, como oferecer, como aceitar, como não julgar, como voltar atrás, como nos desculpar, como ser, como amar. Desmedidamente.

Dizem que os fins justificam os meios. Há quem pense assim. Mas, se pensarmos bem, os meios poderão ajudar muito no momento do fim.

E como vocês lidam com isso? 




Aprender a dividir o tempo

Às vezes, a vida entra numa batida desenfreada e a gente já não consegue manter uma regularidade em algumas coisas. Outras ficam à frente...